Moda - Sotaque mineiro da cabeça aos pés
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de agosto de 1997
Rosângela Vale Londrina 
Divulgação
Pseudo-scarpin de bico afiadíssimo assinado por Alexandre Herchcovitch
Paulo Laborne
Look da coleção O Império do Falso na Bacia das Almas, de Ronaldo Fraga
Renato Ribeiro
Peças que recortam a silhueta feminina: do mineiro Martielo Toledo
Marco Diniz
Eduardo Ferreira usa a arte popular nordestina como tema de sua coleção
As fronteiras do mundinho da moda estão se expandindo. Com o sucesso do MorumbiFashion, em São Paulo, os mineiros resolveram criar a sua própria versão do evento: a BH Fashion Week aconteceu semana passada em Belo Horizonte e contou com um público de 25 mil pessoas nos três dias de desfiles.
As coleções primavera-verão de jovens talentos da moda nacional, como Ronaldo Fraga, Eduardo Ferreira e Martielo Toledo dividiram a passarela com etiquetas mineiras já consagradas, como Reciclagem, Renato Loureiro, Art Man, Fourteen e Vide Bula. Além dos 20 desfiles, o evento contou com um salão de acessórios, onde arquitetos, artistas e designers foram contratados pelas marcas para criar ambientes de galeria de arte.
Entre as grifes de acessórios, o destaque foi a Arezzo, que convidou nove estilistas para criar o que consideravam o sapato ideal. Com montagem realizada pela cenógrafa e cineasta Daniela Thomas, o espaço batizado de Studio Arezzo possibilitava a observação dos sapatos em diversos ângulos.
Um dos trabalhos mais autorais foi o pseudo-scarpin branco de bico afiadíssimo de Alexandre Herchcovitch. Também seguindo inspiração muito própria, Ronaldo Fraga desenvolveu um sapato em formato bico de pato, com o mesmo espírito de sua coleção O Império do Falso na Bacia das Almas, onde faz um deboche do mundo da moda. Se nas histórias em quadrinhos colocaram um scarpin preto na Maga Patológica, por que não colocar sapato de bico de pato nas patológicas fashion?, justificou o estilista.
Martielo Toledo buscou inspiração nas aves raras, prostitutas e madames para criar o sapato papagaio e a bota arara, enquanto Lorenzo Merlino reeditou o salto vírgula consagrado pelo designer Roger Vivier. Numa linha mais comercial, Eduardo Ferreira fez sandálias de plataforma com estampas de cordel das obras de Gilberto Freire e artistas plásticos do Recife. Elisa Stecca também optou pelas plataformas, uma delas com salto vermelho e tiras pretas, inspirada no Japão, e outra preta com tachinhas de metal em forma de flores, numa alusão à Carmen Miranda em versão punk.
De acordo com a assistente de marketing da Arezzo, Renata Alvarenga, depois de uma ou outra adaptação, alguns modelos vão entrar na linha de produção da marca, mas ainda não há uma data definida para isso. Talvez no alto-verão, diz. Segundo ela, a intenção é dar continuidade a essa parceria com os estilistas, criando assim, a coleção Studio Arezzo. É uma forma de abrir espaço para os novos talentos brasileiros, salienta.


