Grife jovem e moderninha, a Cavalera carrega o sobrenome famoso do baterista Igor Cavalera (ex-Sepultura e ex-sócio da marca). Ganhou fama com as camisetas bem-humoradas que brincavam com marcas conhecidas. Fez tanto sucesso que virou alvo dos piratas e ainda inspirou muita gente a seguir a receita. De uns tempos pra cá tem se esforçado para agregar um outro tipo de valor às suas roupas, que estão cada vez mais luxuosas sem perder as raízes do streetwear.
Na coleção outono-inverno, apresentada no domingo à noite na São Paulo Fashion, a Cavalera rendeu homenagens à Velha Guarda do Samba e colocou na passarela - com deliciosa trilha sonora acompanhando - Adoniran Barbosa, Clara Nunes, Cartola e Jair Rodrigues estampando roupas, colorindo acessórios. Bolsas no formato de pandeiro e flor na lapela são alguns dos detalhes que resultam da inspiração sambista. A coleção ainda fala em fé e coloca os douradíssimos brocados dando o tom aos vestidos curtos.
A grife também destacou o artesanato brasileiro na delicada renda renascença e nos crochês. A iniciativa pareceu inusitada no começo, mas hoje já se mostra um clássico da marca, que encerrou o desfile com a entrada de um simpático grupo da velha guarda do samba paulistano. E depois dizem que paulista não sabe sambar.
A SPFW terminou ontem depois de seis dias e 38 desfiles. Apesar de muitas apresentações terem sido bem autorais - onde estilistas não se prendem às tendências -, o outono-inverno já tem seus caminhos indicados. Futurismo, anos 1960 e 1980, comprimentos curtos, cinza e preto como base, jeans justos e volumes na parte de cima.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento

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