MODA - Passarela nos cartões postais
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quinta-feira, 08 de junho de 2006
Karla Matida<br> Enviada ao Rio de Janeiro 
Eloysa Simão, diretora do Fashion Rio, foi clara e direta durante a entrevista coletiva na abertura oficial do evento carioca quando falou em bairrismo e na exaltação das belezas do Rio de Janeiro. O caráter turístico está na programação de desfiles que acontecem fora dos 28 mil metros quadrados da Marina da Glória, que até domingo será chamada de ''Cidade da Moda''. Aliás, o próprio espaço escolhido para a esta edição é um cartão postal à parte. Os organizadores fizeram reformas estruturais no local, asfaltaram o terreno, mas permitiram a harmonia com a natureza. As quatro salas de desfile ficam convidativamente à beira-mar.
Nos três primeiros dias de evento, o ''fashion tour'' já passou pelos Arcos da Lapa, para onde a Blue Man levou sua carioquíssima moda praia e 750 pessoas que montaram um emocionante cenário vivo idealizado por Bia Lessa. Na quarta-feira, a passarela foi montada na subida para a deslumbrante Vista Chinesa, palco para Sommerland, país inventado pela estilista Thaís Losso. Um serviço de jipes transportou, em espírito safári, os fashionistas pelo passeio ao país imaginário cheio de cores e estampas de animais.
E quando se fala em Rio de Janeiro, o bondinho Pão de Açúcar não poderia faltar do passeio turístico. Acostumada a apresentar suas coleções em lugares inusitados, Alessa subiu às alturas para mostrar seu Verão 2007 com uma declaração de amor à sua cidade. ''Cariocaholic'' como avisa uma das camisetas divertidas da estilista. Até mesmo quem não é carioca da gema vai querer uma peça igual, afinal vicia olhar para qualquer lado e ver o mar ou qualquer outra paisagem deslumbrante.
Nas salas de desfiles convencionais, as tendências se espalham nos vestidos curtos e volumosos, nos mix de estampas, no branco iluminado e também na brincadeira com as tintas. As peças parecem palhetas de pintores com muitos respingos. Não por acaso, nomes como Klimt e Picasso surgem nas inspirações das boas coleções do pernambucano Melk Zda e da mineira Coven, que volta à cena com suas finíssimas rendas de tricô.
Na moda praia, destaque para a Salinas, que olhou para os Tupinambás e resolveu brincar com as estampas como a de cocares de penas coloridas ou com a palha dos cintos. Tudo sob os olhares atentos das sete centenas de índios que coloriram a lateral da passarelas. Ok, os índios eram figurantes, mas os biquínis e maiôs são bem autênticos. Melhor correr para a academia porque o verão está logo ali.
A jornalista Karla Matida viajou ao Rio de Janeiro a convite da organização do evento.


