Curitiba - Com a crise financeira instalada na moda curitibana por falta de patrocinadores de peso, já que a Vivo que era a master do evento saiu fora após ter pago uma fortuna para ter Gisele Bundchen em seus reclames, o Curitiba Fashion Art começou anteontem incólume. Prova de que, mesmo sem dinheiro, há sim como se fazer um evento digno de ser visto por jornalistas de qualquer parte do mundo.
Com esse peso, o de ser feito por quem é absolutamente apaixonado por moda - a veterana jornalista Nereide Michel e o produtor Paulo Martins -, o CFA sobe mais um degrau no quesito criatividade. Em seus vários lounges ocupados por patrocinadores, parceiros e colaboradores, dá para ver bem isso. Fios de lã viram teias negras nas paredes, papel bolha é a divisória que separa dois espaços, pedaços de papel forram o chão da passarela de Enesoe Chan, um misto de estilista artista que participa da semana.
E pensando bem é isso que vale na moda em estado bruto a que o CFA se propõe a mostrar. Por ali nada é industrializado, está tudo num processo de nascimento. É como se todos os seus nove estilistas tivessem que trazer algo de novo ao público. Afinal quase tudo já foi feito e visto, prova disso é a onda retrô da moda comercial deste ano com um forte apelo aos aúreos anos 50 e suas saias rodadas e casaquinhos justinhos.
Bem, na primeira rodada mostraram suas propostas a Sexxes e Enesoe Chan. A primeira já está num processo de maturação bastante avançado para ser catalogada na lista dos novos criadores. Com 13 anos de vida a grife acaba de fazer um desfile em Madri e fechar um contrato para vender por lá. Este é o alvo a que todos os pretendem alcançar. Mesmo tendo emplacado internacionalmente a Sexxes participa como uma espécie de ''menina dos olhos'' do evento. É aquele exemplo que todos devem seguir. Com uma moda própria do Paraná para ganhar o mundo.
O tema escolhido por Alcione Gabardo Júnior segue uma espécie de traçado. Ele ainda está numa fase de encontro com a espiritualidade e faz um balanço de todas as crenças e religiões que conduzem ao entendimento da vida abrindo o desfile com a boca de cena reproduzindo um altar politeísta. Tipo macumba, mas com alusão a várias divindades religiosas.
Quando isso vira roupa continua com a cara das coleções anteriores. Com suas sainhas curtinhas, botas tipo coturno, blusas justas cheias de aplicações, amuletos alusivos as mais diversas religiões a Sexxes se expressa e se comunica bem com o público jovem que deseja atingir.
De evolução no trabalho a grande variedade de modelagens das calças femininas - algumas com um leve efeito saruel - e masculinas. Uma parte boa que deve agradar aos brasileiros que já compram a marca e aos gringos que acabam de conhecê-la.
A outra apresentação trouxe a intenção de Enesoe Chan de mostrar a beleza das favelas brasileiras. Um pouco fora de nexo - ou talvez dentro do nexo do criador - a coleção não chega a trazer um traçado entendível. Fica um pouco confusa, a não ser na bela reprodução das favelas aplicadas em camisetas.

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