MODA - Ousadia toma conta da passarela
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de março de 2005
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba Segunda noite de desfiles do Curitiba Fashion Art e mais uma noite de criação abusiva. A moda da grife londrinense Ex-Madame levou nostalgia e um ar macabro para a apresentação. Com o título ''Valsa Macabra'', uma alusão ao poema sinfônico que o compositor Camille Saint-Saens fez em cima dos versos de Charles Baudelaire, as criações de Ronaldo Silvestre (parte feminina) e Rafael Matter (masculino) conseguiram encantar.
Na boca de cena a pianista Luciana Gastaldi fez par ao piano com Matter. Um encontro da moda com a música instigante. Na passarela uma profusão de imagens de caras pálidas, mórbidas, enriquecidas pela beleza das roupas, principalmente as femininas. Sem súvida Silvestre conseguiu captar o momento ''saia'' que a moda vive e criou várias. Incríveis. Desde os modelos longos, estes sim réplicas do tempo em que Charles Baudelaire vivia, até peças mais contemporâneas, drapeadas de uma maneira arriscada, mas funcional.
O segundo da noite foi o convidado especial do evento Mareu Nitschke. O designer trouxe para cá as roupas que apresentou na última edição da São Paulo Fashion Week. Uma mistura de gótico com japonês, o estilista cria as gueixas góticas e apresenta roupas bem-acabadas, cuidadosamente bordadas, cheias de detalhes. Sem perder um toque de humor, o que contrabalançou o peso do preto de toda a coleção, Nitschke calçou seus modelos mulheres e homens com divertidas botas: uma sandália de dedo que é um coturno de salto alto de madeira. Um bom momento para se entender que todo desfile tem que ter sempre um toque irreverente.
Encerrando a noite de quarta a sensível Kamille Cunha. O tema era Camille Claudel, a amada-amante de Rodin, o grande escultor. Kamille gosta de estudar a vida de grandes mulheres e inspira-se nelas para fazer sua própria história. E já consegue imprimir sua marca pessoal na parte criativa. Com saias (sim mais uma vez elas) de diferentes cortes, entre evasê até as plissadas, a estilista cria uma mulher limpa, mas chique. Ponto alto: os tye-dies e a mistura entre os tecidos mais leves com os mais pesados.


