Durante muitas temporadas, o estilista Ricardo Almeida foi responsável pelo ''grand finale'' da São Paulo Fashion Week (SPFW). Em clima de ''happy end'' suas criações encerravam a semana de desfiles com trilha sonora de suspiros e gritinhos da platéia feminina. Os bonitões na passarela ganhavam os aplausos até mesmo das colegas modelos que, com a sensação do dever cumprido muitas passarelas depois, aproveitavam para fazer graça a cada entrada dos ''meninos''.
Há algumas temporadas, Almeida resolveu inverter tudo e passou a iniciar a SPFW. Pois é disso mesmo que vive a moda. Do novo, das mudanças. Se numa temporada é o vestido longo que está em alta, em outra estação será a vez das minis. Mas é claro que nenhuma dessas opções vai estar na passarela exclusivamente masculina de Ricardo Almeida, que abre a temporada paulista às 11 horas.
Batizada de SPFW 10 + 10, a edição que começa hoje e vai até o dia 23 não esquece os 10 anos que ajudaram a consolidar o calendário de moda do País, mas olha para os 10 próximos anos. O objetivo é colocar definitivamente a moda brasileira no mapa mundial. O evento paulistano já é considerado um dos cinco maiores do planeta e recebe a visita de jornalistas e compradores dos quatro cantos do mundos atrás da criatividade verde-amarela.
''A próxima década da história da moda brasileira começa em janeiro de 2006'', avisam os organizadores. Até o dia 23, 46 desfiles serão apresentados nas três salas montadas no Pavilhão da Bienal e outra no vizinho Museu de Arte Moderna (MAM), ambos no Parque do Ibirapuera. Em busca de cenários exclusivos para suas passarelas, algumas grifes foram atrás de locações mais dramáticas como o Auditório do Ibirapuera e o Teatro Sérgio Cardoso.
Mas as paredes da Bienal também ganham ''roupa'' especial. A cenógrafa Daniela Thomas escolheu o papelão como matéria-prima para a ambientação da entrada e corredores. Três mil caixas de papelão foram utilizadas nas paredes de até sete metros de altura.
Mas as interferências visuais não ficam só no papelão. A 20 edição da SPFW terá também exposição do fotógrafo Rogério Cavalcanti e uma celebração dos 25 anos da revista inglesa I-D. A ''i-Dentity'' terá filmes, fotografias, som, gráficos e até cheiros. A exposição saiu de Londres, passou por Paris e depois de São Paulo, segue para Nova York. Não por acaso, as quatro capitais internacionais do planeta fashion.
Quatro grifes oriundas do Fashion Rio desembarcam na capital paulista. Uma delas, a Maria Bonita, é velha conhecida do evento. Foi uma das fundadoras, 10 anos atrás, da SPFW (então chamada de MorumbiFashion Brasil). Volta em grande estilo, com direito a trilha sonora cantada ao vivo por Marina Lima. Luxo. As outras três estréias são Patrícia Viera, Karlla Girotto e Zigfreda.

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