ReproduçãoDesfile da coleção primavera-verão 96: roupas sexy para homens e mulheresAcabou o reinado de Karl Lagerfeld, Gianni Versace e Giorgio Armani. Tom Ford é o estilista mais quente do momento. Ele consegue ganhar igual destaque nos mercados dos Estados Unidos e da Europa com o ressurgimento da marca italiana Gucci.
Depois de uma rápida escalada para o topo, o estilista norte-americano vive seu melhor momento, com seu rosto estampado nas principais revistas de moda, as ações da marca que representa como as mais valorizadas da bolsa de Nova York e várias homenagens ao seu trabalho.
Tom Ford é a estrela do momento também por causa de uma entrevista de capa da edição de junho da revista ‘‘The Advocate’’, em que ele revela que é gay e fala sobre seu namorado, Richard Buckley, com quem vive há dez anos. Em um mundo que é teoricamente ‘‘dominado’’ por profissionais interessados em pessoas do mesmo sexo, poucos estilistas têm falado abertamente sobre suas opções sexuais com medo de ofender seus investidores, em geral executivos de conservadoras empresas financeiras.
Ford nunca havia escondido suas preferências, mas ainda não havia levado o assunto à imprensa como faz agora. ‘‘Acho incrível que ninguém da indústria de moda se sinta à vontade em relação à sexualidade’’, disse ele à ‘‘Advocate’’. ‘‘Mas acho que um dia não haverá mais definições como gay ou straight , as pessoas apenas vão perguntar se você está com um homem ou com uma mulher.’’
ReproduçãoKate Moss em desfile para o verão 97
Queridinho O estilista não podia estar mais confiante para falar sobre seus assuntos pessoais. Depois de passar por marcas como Perry Ellis e Chloé, o texano de 35 anos se transformou em diretor criativo mundial da Gucci, que vinha passando por um péssimo período no final dos anos 80 e início dos 90. De 1994, quando apresentou sua primeira coleção para a marca, até hoje, Ford foi aclamado pela crítica especializada e recuperou a imagem da Gucci, virando o queridinho de nomes como Madonna, Elizabeth Hurley e Sharon Stone. Em matéria de números ele também funciona: os lucros da companhia devem chegar este ano a US$ 1 bilhão, com base nos US$ 880 milhões faturados em 1996.
Além de ser o preferido das estrelas no momento, Ford vem se tornando uma estrela pop por não carregar a afetação e a antipatia de alguns estilistas tradicionais. Ele se dedica a sua carreira e ao casamento, além de inúmeros projetos beneficentes de entidades ligadas à luta contra a aids.
Mas qual é o segredo para se tornar em tão pouco tempo o maior símbolo de status no universo fashion do final dos anos 90? Ford conseguiu desenvolver um look próprio para a Gucci sem apostar em esquisitices como os recentes hypes-de-mídia Alexander McQueen e John Galliano. Em 1995, ele acertou ao apostar em roupas sexy para homens e mulheres, se inspirando tanto nos gigolôs dos anos 50 quanto nos clubbers do Studio 54, nos anos 70. Em sua recente coleção de outono, apresentada em Milão em março, ele apostou em referências dos anos 80, mostrando um ideal de beleza conceituado como ‘‘muito violento’’, que celebra a feminilidade apoiada em altíssimos saltos.
ReproduçãoLook da coleção primavera-verão 97: sensualidade
À frente Ao lado de Miuccia Prada e de Helmut Lang, Ford é hoje o mestre em apostar no novo, sempre tomando a dianteira das tendências que acabam copiadas por outras marcas. Em sua recente coleção, por exemplo, ele apostou na silhueta menos ajustada, incluindo até leves ombreiras nos paletós masculinos. ‘‘Não havia mais como a silhueta ficar ajustada e aquilo não estava mais parecendo novo’’, disse Ford em entrevista na edição de junho da revista ‘‘Detour’’. ‘‘Acho que a moda tem de ser levemente chocante, especialmente na primeira vez que você vê alguma coisa’’.
Além de reforçar o potencial fashion da Gucci, ele criou uma série de novos produtos, acessórios, e pequenos objetos para presentes, que haviam ficado esquecidos em meio à quase falência e aos escândalos da família nos anos de vacas magras. Ford assumiu a marca depois que a Investcorp - que se especializou em salvar tradicionais companhias como a Tiffany e a Saks Fifth Avenue - comprou 50% de suas ações, em 1988. Hoje ele é reconhecido como o responsável pela valorização das ações da Gucci de US$ 22 em 1995 para US$ 80 este ano.
E o crescimento da Gucci não vai ficar por aí. O projeto da marca é se tornar nos próximos dez anos o maior nome mundial em cada uma das áreas em que atua: prêt-à-porter , calçados, bolsas, acessórios, etc. Para isso, eles vão investir em novos pontos-de-vendas departamentalizados e na renovação de todas as butiques nos Estados Unidos, no Japão e na Europa. Ford não esconde nem que, em meio ao processo de crescimento, há planos de ganhar os mercados atualmente dominados por seus maiores concorrentes, Armani e Prada.

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