Anos 60 e transparências deram o tom ao segundo dia de desfiles do Fashion Rio, a semana carioca de lançamentos para o verão 2004, que acontece até amanhã no MAM, no aterro do Flamengo. Sedas, organzas e georgetes foram exploradas por três das cinco grifes que se apresentaram anteontem no evento. Fugindo da tradução literal de seminudez, na vida real a tendência sugere leveza e sofisticação.
Melhor ainda se a nobreza de tais tecidos for enriquecida por um consistente trabalho de estamparia e bordados, trunfo da mineira Graça Ottoni, que abusou da referência art-déco criando belíssimas composições multicores. As formas são limpas e simplificadas. O uso do prata e de tubinhos curtos remete à Courrèges, mestre invocado também pela carioca Mara Mac. A ''Barbarela'' chique proposta pela grife ganha um guarda-roupa repleto de toques futuristas: branco espacial e cinza metalizado tingem leggings, casacos, sapatilhas e shorts balonê, ao lado de grafismos coloridos.
Já a Tessuti fez do mix de materiais nobres o ponto de partida para elaborar recortes e sobreposições. Os melhores looks são as saias pontuadas por pregas e os vestidos com interferências de cores acesas. Momento mais aguardado da noite, o concorridíssimo desfile da Lenny trouxe a escultural Ana Hickmann às passarelas cariocas. A habitual sofisticação que a marca preferida das elegantes de plantão imprime à praia foi reforçada nesta temporada. Camisas e acessórios em prata, em forma de espinha de peixe, complementam biquínis e maiôs de padronagens diversas: pois, listras e folhagens dividem a cena com o branco e o vinho. Destaque para os decotes drapeados e para o uso de tiras de couro com ilhoses nas peças.
Mergulhando no universo da Pop Art, a paulistana TNG trouxe ao seu verão a irreverência dos anos 60 e 70. Estampas estilo grafite homenageiam personagens como Zé Carioca e outros ídolos da época. A coleção passeia ainda pelo universo do motocross, sugerindo calças mais justas, marcadas por muitos recortes, e camisetas com símbolos referentes ao esporte. O ator Eric Marmo, que interpreta um aficcionado por motos na novela ''Mulheres Apaixonadas'', foi o escolhido para representar o ''mocinho'' da marca nesta temporada. Nos pés, tênis Puma ou bota bico fino PB. Para elas, tubinhos e corselets bordados com paetês de flores de plástico, numa referência à Paco Rabbane.
A jornalista Rosângela Vale viajou a convite da organização do Fashion Rio.

BABADOS

- Roupas não são as únicas atrações do Fashion Rio. A exposição ''Jóia Brasil'', com o trabalho de 39 joalheiros está um luxo só. É como entrar em um túnel repleto de tesouros. A iluminação, focada apenas nas peças, evidencia a lapidação das pedras e faz do lugar um dos mais belos desta edição do evento.
- O toque inusitado do espaço fica por conta da mostra ''Juarez Machado Joalheiro'', que traz temas sociais ao reduto fashion. O artista criou 20 telas e 20 acessórios (feitos de plástico, imãs de geladeira e souvenirs comprados no Louvre) com inspiração na fome e outras mazelas brasileiras como violência e corrupção. Segundo ele, o lugar é mais do que propício para tais assuntos. ''Não adianta falar de pobreza para pobre'', justificou.
- Além de quatro tendas armadas para os desfiles, o MAM conta ainda com uma tenda onde compradores de moda de todo o País fazem negócios. Nesta edição, o Fashion Business dobrou de tamanho: concentra 150 marcas e deve movimentar cerca de R$ 190 milhões em vendas diretas.
- Momento surreal no Fashion Rio: Paulo Borges, big boss da São Paulo Fashion Week, dando pinta nas primeiras filas dos desfiles.
- Nova tendência no backstage: o povo das artes na direção dos desfiles. O da Maria Bonita ficou a cargo da cenógrafa Daniela Thomas, o da Blue Man rolou sob a batuta da diretora de teatro Bia Lessa, e o de Andréa Saletto foi conduzido pela atriz Beth Lago

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