Em um evento que tem como missão indicar o rumo da moda daqui a quatro, cinco meses, o passado foi palavra de ordem nos domínios do Fashion Rio na terça, primeiro dia de desfiles. Para Eduardo Eugênio, presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), é preciso ‘‘pensar o passado como estímulo para o futuro’’. Eloysa Simão, idealizadora e diretora do evento, diz que as novas histórias só vão acontecer ‘‘se não perdermos de vista o passado’’. Já para os estilistas, boa parte da inspiração também vem de outrora.
  A Firjan e o Fashion Rio são parceiros no projeto ‘‘Rio - Histórias e Personagens da Moda’’, que vai se transformar em livro que será lançado em junho do ano que vem. Mas as homenagens já começaram. Nesta edição foram lembrados oito estilistas que marcaram época na moda carioca entre os anos 1970 e 1980. Outros mais deverão ser homenageados nas próximas temporadas. Na primeira leva, nomes como Gregório Faganello, Mauro Taubmann, da grife Company, e Maria Cândida Sarmento, da Maria Bonita. ‘‘Eles podiam ter sido bancários, economistas, mas se deixaram levar pela paixão pela moda, correram o risco e abriram portas’’, lembra Eloysa.
  De volta ao presente, as passarelas cariocas têm um pé no futuro - o outono-inverno -, e outro no passado. No desfile mais bacana do dia, a Redley resgatou dos anos 80 um antigo sucesso, os tênis sem cadarço. Eles voltam estampados como pede a coleção. A idéia é deixar tudo de lado e fugir para uma ilha deserta, mas cheia de cores e flores. Os bordados formam linhas e costuram borboletas nas saias, vestidos e trench-coats bem leves já que o inverno por aqui nunca é mesmo rigoroso.
  Das memórias de infância, os estilistas Marco Maia e Luciano Canale, da Sta. Ephigenia recriaram peças que mães e irmãs usavam. O perfume é de brechó-chique desde a sandália de verniz ao penteado preso num coque. As saias-lápis são justíssimas e a cintura é alta. O Rio de Janeiro vira estampa esverdeada e o preto volta à passarela, mas não detém a exclusividade dominante.
  Antes mesmo de começar seu desfile, a estilista Marcella Virzi avisa numa mensagem que aparece no telão que as pessoas precisam perceber que ‘‘a cintura baixa já não é tão bacana’’. O recado está dado. Para a grife Virzi, a China é o destino e a ópera de Pequim inspira a estamparia no chamois. O tom é o preto e o brilho fica por conta dos ‘‘colophons’’ (assinatura das obras de arte orientais) dourados.
  Para Maria Fernanda Lucena, a passarela é uma extensão do galpão-ateliê onde ela se diz livre. E a liberdade é o tema da coleção, que tem como característica principal as manchas contrastantes nas barras das saias e calças. A estilista gosta de brincar de pintora e diz que ‘‘o paetê é a tinta para compor o quadro’’. Fitinhas do mesmo tecido fazem as amarrações e transpassados. O tomara-que-caia está nos tops e nos vestidos.
  Entre as delícias do dia, Maria Bonita Extra está entre as primeiríssimas. O clima é retro e a borboleta está em tudo. No cinto, na estampa, na forma como o laço é arrematado e também na idéia da transformação. Num momento, a mulher MB Extra está toda fechada na crisálida - o look tem até gravata - outra hora bate as finas asas no transparente tule de algodão. A cintura está marcada, os vestidos estão mais curtos e a vontade é sair logo atrás de um visual parecido. Mas isso só até sair da sala de desfile. Como encarar uma meia-calça opaca nesse calor de quase 40 graus. É melhor esperar. O futuro chega logo.
A jornalista Karla Matida viajou ao Rio de Janeiro a convite da organização do evento

SERVIÇO

Desfiles de hoje
- 10h30 - Walter Rodrigues
- 17 horas - Márcia Ganem
- 18 horas - Cavendish
- 19 horas - Carmelitas
- 20 horas - Lucy in the Sky
- 21 horas - Sandpiper

mockup