MODA - Diversidade na passarela
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de agosto de 2004
Ana Clara Garmêndia<br> Equipe da Folha 
Curitiba Purismo. Encontro com a espiritualidade. Loucura. Charles Baudelaire. Homem-Aranha. Helena Kolody. Areias do mediterrâneo. Praia com gosto de preguiça. Todas estas tônicas foram abordadas nas noites de terça e quarta-feira da Curitiba Fashion Art (CFA), temporada de moda curitibana com estilistas paranaenses que termina amanhã no Horácio Coimbra, um dos prédios que compõem o complexo da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
A primeira apresentação trouxe a veterana Sexxes abrindo a série de 13 desfiles que dura até sábado e deve ser a mais lotada até agora. A grife já tem peso no mercado há bastante tempo. Ao fazer uma roupa moderna, comercial e com preço honesto o estilista e proprietário Alcione Gabardo Junior conquistou o público jovem e já tem várias lojas que não lhe dão dor de cabeça na parte financeira.
Pois bem, Júnior está num momento pessoal muito intenso e deixa claro que começa um caminho de encontro com a espiritualidade e o trabalho é seu instrumento de cura. A apresentação foi pontuada pelas roupas brancas. Os modelos estavam dentro de uma grande teia de aranha fluorescente. Peças sensuais que servem em cheio para as barriguinhas lisas das meninas que dão tudo para ter uma peça da marca. O subliminar é que há um mundo de fantasia que está sendo criado. A roupa fica em segundo plano neste momento. Sem perder a atitude jovem. Júnior está de pé.
Em um segundo momento apareceu a coleção da sai marca infantil, a Guimmylove, uma investida que terá peças limitadas vendidas nas lojas da marca.
O segundo desfile da noite teve a loucura do poeta francês Charles Baudelaire explorada pelo estilista Enesoe Chan. Adepto da idéia que moda é arte, Chan se embrenha por um caminho de conceito bruto e tem em Baudelaire um prato cheio para isso. Sobre Baudelaire disse Jean-Paul Sartre ''o mundo, esvaziado, mas repleto de símbolos, não era para ele outra coisa que não ele mesmo...'' E nessa onda de símbolos que Chan surfa.
Causa um frisson ao mostrar seus másculos modelos com bermudas vazadas no bumbum coberto por plástico. A alfaiataria perfeita das camisas e o os nervurados, grande forte do estilista, ganharam um detalhe com zíperes fazendo o acabamento. Uma coleção de alguém enlouquecido por moda que agradou por fazer um desfile que desafiou a estética com homens vestidos com saias e trapos certamente cuidadosamente estudados.
Na quarta-feira energias diferentes penetraram a passarela do CFA. Num primeiro momento o trabalho do estilista Silmar Alves, sempre aplaudidíssimo por uma platéia que o admira. Alves continua na trilha que é a idéia fixa do evento: fazer uma moda com a cara do Paraná. Resgatar nossa cultura fazendo roupas que contem a história da cultura estadual. Para alguns a homenagem à Helena Kolody soou bem. No conceito de Alves além da história da poeta, morta esse ano, as tradições polonosesas. Na passarela a estampa desenvolvida especialmente para o estilista com fotos de mulheres (talvez Helena na juventude?) ganhou várias versões em calças, bermudas. E muitas borboletas estampadas em camisetas. O ar era anos 40 na maquiagem e cabelos.
Após Alves veio a grife de moda praia Água Fresca. O carro de 1951 na boca de cena já mostrava a história. A modelo Pietra, capa de uma das edições da revista Playboy, abriu o desfile com um corpaço daqueles e um maiô tomara-que-caia vermelho. Depois disso vários momentos que conduziram os espectadores a uma praia consolidada (as donas da grife tem origem Grega talvez por isso acertem tanto na modelagem das peças). Na segunda parte a coleção ganhou música e atitude de garotas saídas dos filmes de James Bond. Uma coleção que traz várias opções desde a mais requintada e recatada dos maiôs pouco cavados, passando pelos biquínis de bolinha amarelinha até as divertidas duas-peças com babadinhos. Um charme irresistível. Deu vontade de ir à praia.
A Korr fechou a segunda noite também num clima praia. Intitulada Korr Island (poderia ser Ilha Korr né? Soa bem falar português sempre em território nacional) a coleção trouxe a malandragem de um final de tarde na praia. A maquiagem dos modelos, com cara de quem tomou muito sol e está chapado por isso, deu um ar delicioso à apresentação. Única na proposta de roupas esportes acerta em cheio nas modelagens e na escolha dos tecidos. As roupas são suaves e bem-feitas. O estilo é internacional e não traz invencionices. A Korr cumpre bem seu papel ao se preocupar com uma roupa simples, confortável e que pode ser usada por gente de todas as idades que gosta de dar um tempo para a correria do dia-a-dia.
O CFA prossegue logo mais com a estréia do estilista Roberto Arad no evento, mas não na moda. Arad entra na Semana de Moda justamente no período em que comemora 10 anos de carreira. Depois tem Pura Mania e Pin. Amanhã, dia do encerramento tem Kamille Cunha e Lafort Colecction. Os desfiles começam às 18 horas e são somente para convidados.


