MODA - Desfiles não empolgam
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quarta-feira, 14 de abril de 2004
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha<br> Curitiba - Se a criatividade em estr 
Curitiba - Se a criatividade em estratégias de marketing para chamar gente para dentro de um shopping é grande o suficiente para montar um evento que está em sua décima edição como o Crystal Fashion e leva 32 mil pessoas para dentro do mesmo lugar durante seis dias, a escassez dela faz as grifes brasileiras agonizarem na passarela.
Talvez cansaço. Talvez fórmulas esgotadas ou até ainda dificuldade de transportar para uma cidade menor idéias que em grandes centros funcionam que é uma beleza. O fato é que desde segunda-feira, quando começaram os desfiles de varejo na cidade, há algo de esvaziamento no ar. Como sempre acontece famosos desembarcam todos os dias durante a semana. Já vieram Adriane Galisteu, Luigi Barichelli e Cauã Reymond. Ainda estão por vir Ellen Jabour e Daiane dos Santos. Nada disso vem adiantando. A passarela está fraca.
O primeiro desfile a acontecer na noite de segunda-feira trouxe a internacional Rosa Chá para Curitiba. A apresentação foi basicamente a mesma do São Paulo Fashion Week (SPFW). O clima era de spa. Mulheres da sociedade misturadas a modelos esperavam o começo do desfile sentadas num enorme banco de madeira. Todas de robe com a logo da marca. Depois as manecas levantaram e as madames permaneceram ali. Conversavam e até falavam ao celular enquanto a coleção de desdobrava entre peças para praia e dia a dia.
Um romantismo nobre. Cores alegres misturadas, como o verde e rosa. Estampas geométricas e golas formatadas. Maiôs e biquínis com muitos recortes. A trilha totalmente blasé fez as curitibanas reclamarem. Algumas acharam fraco. Não é nada disso. É que a apresentação original, no SPFW, teve estrelas da grandeza de Naomi Campbell, com seu andar de mulher de raça, provocante e segura do corpaço que tem, e de Ana Hickmann, uma beldade que já aprendeu a aliar provocação com beleza e as nossas modelos não tinham o mesmo élan.
Depois foi a VR que veio. A grife paulista mostrou uma faceta cada vez mais cosmoplita da sua moda masculina. Os homens da VR continuam compromissados tendo que usar blazers de veludo e sapatos bacanas, mas cada vez mais quebram a caretice com atitude. As tocas de malha mostram isso. As bolsas à tiracolo também. O melhor momento do desfile? A evolução do jeans da marca.
Na noite de terça-feira uma grande mostra de cansaço. Quem abriu a apresentação foi a TNG. Com uma coleção onde houve uma mistura de moderno com retrô a grife dá alguns passos atrás (as coleções anteriores arrasaram). Bons os casacos femininos e um look de saia levemente rodada e casaco ajustado ao corpo, uma mostra de sintonia com o movimento universal de visitar palcos de dança para renovar a moda (Alexandre McQueen e Stella McCartney estão nessa). Os sapatos masculinos também merecem um destaque. Alinhados vêm como um diferencial de elegância em meio a uma coleção quase sem graça.
Para fechar a noite a Yacthsman chamou Luigi Barichelli para mostrar sua moda. Como sempre faz a grife, cria roupas para homens básicos e esportivos. Ajustou um pouco as calças risca-de-giz (ou será que os modelos estavam mais gordinhos?) e também as malhas mais pesadas de inverno. Fora isso fez um desfile correto que só empolgou a mulher de Barichelli sentada na primeira fila assoviando cada vez que o marido passava.


