MODA - Descontração ampla e irrestrita
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de janeiro de 2005
Karla Matida<br> Enviada ao Rio de Janeiro 
Já se sabia que a MversusM de Guilherme Mata faria uma performance no seu desfile, que teria a participação da companhia Deanima Ballet Contemporâneo. Já se sabia, mas quem poderia imaginar que seria só isso e que depois da apresentação dos bailarinos, nenhuma modelo entraria? Nada de saias, calças, blusas ou o que fosse. Nada.
Mas como era o último dos desfiles do terceiro dia do Fashion Rio, muita gente achou melhor voltar para casa e pensar nisso depois. Tudo para não perder o clima de descontração que reinou durante toda a tarde e boa parte da noite de quinta-feira.
Sem uma top celebridade no casting de modelos, não houve (tanto) corre-corre nos bastidores. Nada também de preocupação com o inverno propriamente dito. Explica-se. As grifes preferiram apostar mesmo que teremos temperaturas amenas, próprias para a criações apresentadas anteontem.
A estreante Maria Fernanda Lucena, escolhida para integrar o grupo de Novos Criadores, olhou para o passado e deu um passeio pelo renascentismo (mangas bufantes), pelos quadros de Gustav Klimt (estampas e bordados) e da estilista Zuzu Angel. E não é que o linho aparece em plena coleção outono-inverno?
O perfume cigano volta a ser sentido no desfile da mineira Coven, que segue encantando com seu tricô-que-não-parece-ser-tricô. Saias longas, babados e muito patchwork de estampas, texturas e cores. Lamê e lurex dão o tom adamascado, que se mistura ao tons berinjela, verde, ocre, azul e amarelo. O xadrez sai para passear com o floral no mesmo trenchcoat folgadão.
Por aqui, todo dia é dia de lembrar que o Rio de Janeiro continua lindo. Não por acaso, vira-e-mexe tem grife fazendo homenagens à cidade. Para a Permanente, de Andrea Saletto, o inverno tem a cara das estampas exclusivas da arquiteta Carla Caffé. Seus desenhos viraram lenços, vestidos, blusas para quem quiser carregar o Rio para onde for.
Com a Cidade Maravilhosa correndo por todas as veias, a funkeira Tati Quebra-Barraco foi uma das inspirações da Tessuti, da estilista Clara Vasconcelos. A idéia é mostrar o mix que é a sociedade carioca, o que foi elegantemente apresentado na passarela, que tinha a silhueta do Pão de Açúcar como cenário.
Streetwear, funk com toque de tecidos nobres. O blusão de moletom é usado como saia e xale acompanhando peças de seda. A estampa lembra um muro pichado. O boné está sempre presente, assim como o paetê dourado, que por sinal também é uma das estrelas do desfile da Maria Bonita Extra.
A estilista Andrea Marques brinca com os anos 1970, mas assim como a trilha sonora, nada é muito óbvio. Sem os grandes clássicos da época, é só, como ela mesmo diz, ''um perfume dos anos 70''. Corações, bolas e flores viram estampas, que viram laçarotes para serem usados como cintos. O shorts bufante (boomer) só aparece uma vez, mas é o suficiente para encantar. O clima romântico se completa com as saias armadas com tule.
As calças do inverno-não-tão-inverno-assim estão mais retas, mais folgadas. A bermuda com comprimento logo abaixo do joelho também marca seu terreno no guarda-roupa para a próxima estação.
A jornalista Karla Matida viajou ao Rio de Janeiro a convite da organização do evento


