MODA - Cores e estilos na passarela
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de agosto de 2003
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba De hoje a sábado, os estilistas paranaenses têm a segunda chance do ano de mostrarem ao público, empresários e indústria local que estão em dia com uma regra rígida que circunda o universo da moda. Além de fazerem uma roupa de qualidade, os criadores têm de mostrar que não estão usando referências carimbadas e apelos visuais, que confundam a moda- espetáculo com a moda-conceitual. O Curitiba Fashion Art abre hoje sua edição primavera-verão, no Cietep um dos prédios que faz parte do complexo da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e mostra também uma série de exposições que abordam a criação.
A outra face dessa história é a aposta incondicional da classe industrial no evento como estratégia fundamental para continuar um processo histórico de recuperação da indústria têxtil no Brasil. Saindo de um período negro de cinco anos já chegou a atingir um déficit de US$ 1,2 bilhão , a indústria nacional navega, no momento, em mares mais tranquilos, apresentando uma perspectiva de fechar o ano com um superávit de US$ 400 milhões.
Em todo o País o mercado da moda movimenta 1,5 mil postos de trabalhos diretos, 5 milhões de postos de trabalho indiretos, 5,1 bilhões de peças produzidas e conta com 30 mil empresas em sua cadeia têxtil e de confecção. No Paraná, são cerca de 4,5 mil empresas e 87 mil postos de trabalho direto. Números sérios que afirmam a necessidade dos estilistas trabalharem para valer.
Na edição desta semana se apresentam alguns desafiados pela segunda vez. Lagoon, Karina Kulig, Sexxes por Junior Gabardo, Sista, Silmar Alves, Água Fresca, Jefferson Kulig, Jean Pierre Lobo, e Soraya Ayoub já mostraram seus trabalhos em março, quando o evento aconteceu pela primeira vez. Agora entram na lista novos nomes escolhidos por uma equipe formada por jornalistas e especialistas em moda do Estado. Korr, Enesoe Chan, Ex Madame e Fusion B vão ter que mostrar mais do que roupas. Conceito e comercial têm que estar casadinhos, senão o projeto perde o verdadeiro sentido de mostrar criadores e não costureiros.
Na noite de hoje será apresentado um desfile de premiação para o melhor novo estilista. O Prêmio João Turin também está na segunda edição e traz os trabalhos de alunos estudantes de moda de universidades do Paraná.Logo após seguem os desfiles da Lagoon e Água Fresca. Ambas com moda praia.
O estilista Sergio Daitschman da Laggon e sua equipe foram até William Shakespeare para propor um tema conhecido: ''sonho de uma noite de verão''. As florestas do escritor vão ser transportadas para ilhas paradisíacas com humor.
A Água Fresca vai pela história dos contos japoneses. Do mistério feminino e do simbolismo oriental. O primeiro desfile acontece às 19 horas e o último às 21h30.
Amanhã é a vez da Enesoe Chan abrir a noite com uma idéia de arte. ''A desconstrução da identidade masculina através da roupa''. O estilista vai tocar num tema bem atual. A troca de papéis entre os sexos, escancarada através da roupa. É o que ele chama de uma ''flexibilização das fronteiras específicas ao gênero''.
Depois vem Jean Pierre Lobo. Estilista conceituado em Curitiba, Jean Pierre vai de novo ao urbano (o público dele é esse mesmo). Música eletrônica, linhas retas e minimalismo alemão vão aparecer.
No encerramento de amanhã a exuberância dos vestidos de festa de Karina Kulig. Com um trabalho consolidado em peças bem trabalhadas, a estilista já avisou que vai continuar na sensualidade e delicadeza feminina. Há quem discorde do trabalho da irmã do famoso Jefferson Kulig, mas como artesã, a modista é sempre impecável e vende. Fato nevrálgico e imprescindível para o trabalho dos profissionais da área. Afinal assim como ninguém anda sem roupa, tampouco vive de brisa.


