MODA - Balanço fashion
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de agosto de 2004
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Terminou na noite de sábado a quarta edição da Curitiba Fashion Art. E o resumo das 12 apresentações (tirando uma que foi a do estilista convidado Mario Queiroz) é que todos os participantes estão um degrau acima no panteão da moda. Foram cinco noites em que criadores e seus produtores tentaram dar o seu melhor. Enfrentaram a crise e mostraram que a tal identidade que a organização queria, em alguns casos, existe sim.
Na noite de quinta se apresentaram Ex-Madame de Ronaldo Silvestre e Lagoon. Silvestre buscou no mestre Carlos Drummond de Andrade e seu poema ''As muitas faces do elefante'' para brincar numa coleção divertida. Os corpetes, o volume mais avantajado de saias e calças e as cores como o verde, o vermelho, o azul, o rosa claro tratam a mulher com suavidade. É moderno ser levemente retrô. Depois disso veio a Lagoon com mais uma moda praia bem feita. Sem grandes novidades, o desfile correu normal.
Na noite de sexta as mais esperadas marcas sacudiram a CFA. Primeiro porque Roberto Arad depois de dez anos de estrada finalmente entrou no evento. Bebendo no urbano como sempre faz, Arad colocou a lenda da Loira Fantasma misturado a uma juventude inocente e uns cafajestes para equilibrar. Os melhores momentos? As bermudas masculinas com ribanas nos joelhos. As várias versões da clássica frente-única e o macacão-sári.
A Pura Mania entrou logo a seguir com um bem-humorado desfile onde mais uma vez a ala jovem ganha opções de vestuário. Samba de Jorge Ben Jor e modelos propositalmente desajeitados dançando na passarela divertiram a platéia. Os melhores momentos são as saias ou curtíssimas ou comportadas levemente abaixo dos joelhos. Arriscando em um desfile sensorial a Pin fechou a noite de sexta brindando o Circo Novo. Uma bailarina do corpo de dança de Débora Colker vestida de fada. Luz baixa. Maquiagens triunfantes e a brincadeira de atiçar a curiosidade e os sentidos da platéia levaram ao momento mais polêmico da semana. Houve gente que reclamou por não ter visto as roupas. Outras ficaram maravilhadas com as danças de fogo mescladas aos modelos desfilando. A coleção? Malhas bem feitas, suaves, com grafismos, dourados e tudo aquilo que remeta a maleabilidade de quem é do circo.
Sábado foi noite de estréia para Kamille Cunha e Lafort. A primeira apresentou sua coleção num romântico desfile que tinha flores brancas na boca de cena e roupas extremamente femininas, sem ser ''patricinha''. E para fechar a Lafort fez o contraponto com o desfile mais ''perua'' do evento. Grifes como Chanel servem de base para um trabalho onde a qualidade e acabamento da roupa valem mais que a criação.


