Com a colaboração criativa do estilista Marcelo Sommer, a carioca Coopa-Roca (Cooperativa de Trabalho Artesanal e de Costura da Rocinha) se uniu à rede holandesa C&A para mostrar seu inverno 2004 no último dia de desfiles da São Paulo Fashion Week, ontem. Na nova ordem fashion mundial, nem tão nova assim, o que vale para colocar sua coleção na passarela e depois nas araras das lojas são as parcerias de grifes com patrocinadores. Não há como fugir dessa equação.
Na maioria das vezes, é sempre para o bem da moda brasileira. A Coopa-Roca sabe como ninguém que a união faz a força. Desde 1981, a cooperativa reúne as mulheres da maior favela do Brasil para transformar retalhos de tecidos doados por fábricas em peças cheias de estilo. Em sua segunda participação na SPFW, a cooperativa segue com a coordenação de Sommer e encantando a platéia. O patchwork é a palavra-chave das criações. Tanto na junção dos retalhos xadrezes como nos hexágonos de crochê. Os fuxicos das cariocas já tinham ganhado o mundo nas peças de Carlos Miele e agora vão conquistar o Brasil. A C&A deverá comprar 1.700 peças da cooperativa para vender nas 90 lojas espalhadas pelo País.
Na segunda-feira, os desfiles também mostraram que ninguém faz um desfile sozinho. Também patrocinado pela rede holandesa, Lorenzo Merlino levou para a bela Pinacoteca do Estado, uma bandinha de rock formada por top models, incluindo as paranaenses Isabeli Fontana e Marcelle Bittar. Fause Haten diz que cuida pessoalmente de todos os detalhes da sua grife. Desde os desenhos, claro, até os contratos comerciais. Vai daí que a ligação com as parcerias ficou tão forte que ele não titubeou em se inspirar em dois patrocinadores para criar não só uma estampa de camisa como também um porta-chicletes de couro para a coleção inspirada nos mangás (quadrinhos japoneses).
O curitibano Jefferson Kulig prefere buscar parceiros nas universidades entre professores de engenharia e nos livros de anatomia. Depois das fórmulas químicas em outras coleções, Kulig vai mais fundo nos conhecimentos do corpo humano. Um macacão estampa os músculos e um aparelho emite os ruídos do corpo. Conceitual como sempre, mas nesta edição, o ''miolo'' do desfile está bem mais comercial, como nas peças de fios de malhas em preto e branco.
Outra parceria inusitada? Pois Zé do Caixão, quem diria, também é muito fashion, sim, senhor. O estilista Alexandre Herchcovitch foi ao cinema e trouxe para a passarela piratas sombrios que mostram seus tesouros grudando moedinhas nos lenços e nas calças.
A marca de uísque que patrocina a grife Uma diz que é preciso continuar andando. Eis que surgem andarilhos pela passarela. Mas desses que, muito chiques, vagam pelo mundo atrás de novas culturas. A bermuda tem paetês nas barras e a bolsa é cheia de outros bolsinhos para organizar a viagem. Dos tuaregs vêm os lenços que dão voltas e mais voltas na cabeça. Continue andando. O inverno está quase aí. Só não fique sozinho.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento

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