Três jovens estilistas conquistaram nesta temporada outono-inverno o direito de desfilarem no ''grupo especial'' da moda. Depois de se destacarem no ''grupo de acesso'' ou Amni Hot Spot, Érika Ikezili, Fábia Bercsek e Samuel Cirnansck foram os primeiros participantes do evento que nasceu justamente para descobrir novos talentos a serem promovidos. No sábado, Érika já havia feito uma boa estréia. Na segunda-feira, foi a vez dos outros dois estilistas apresentarem suas coleções na São Paulo Fashion Week.
Ex-figurinista de teatro, Samuel Cirnansck não esconde as origens e coloca na passarela cortinas de veludo como cenário do seu espetáculo. A inspiração é explícita. Anos 1950 até o último fio de tule para armar as saias rodadas de cintura bem marcada. Faz drapês em jeans, veludo e georgete mostrando fez a lição direitinho nos cortes e modelagens. O final é dos vestidos longos abusados com rendas rebordadas com muito brilho.
Produzir um desfile não é nenhum mistério para para Fábia Bercsek, que por três anos foi assistente de Alexandre Herchcovitch e passou pela faculdade de moda Santa Marcelina. Isso sem contar as apresentações no Hot Spot. Mesmo assim, o primeiro desfile na SPFW tinha que ser especialíssimo. ''Fiquei preocupada em passar uma linguagem de moda'', disse a estilista após a apresentação, que teve inspiração na cantora Cher (que emprestou a voz para a trilha sonora e se fez presente no jeito de ser de uma cover que abriu o desfile). Fábia, que é sempre séria (talvez por pura timidez), entrou sorrindo bastante e jogando beijinhos para a platéia que a aplaudia. Couro, franjas, penas lembravam as índias norte-americanas. A estamparia é da própria estilista, que também é ilustradora.
O penúltimo dia da SPFW também teve duas reestréias, apesar de muita gente insistir que o desfile de Lourdinha Noyama tenha sido uma estréia. A estilista pernambucana já havia desfilado no início do ano passado em São Paulo, mas como convidada especial. Desta vez Lourdinha, que tem como característica misturar tecidos nobres como materiais rústicos, entrou para o calendário oficial. Outra volta à grade desfiles foi a de Caio Gobbi, que tinha feito apenas uma instalação na edição passada. Jeans e veludo cotelê são os carros-chefes da coleção. O desfile teve o styling (coordenação do que vai e como vai entrar na passarela) do maringaense Ed Benini.
Mente criativa em constante ebulição, Alexandre Herchcovitch não apenas dá conta de um desfile como acerta a mão em três na mesma temporada. Depois de apresentar a sua coleção feminina, a coleção da Cori, do qual é diretor de criação, Alexandre mostrou na segunda-feira, sua coleção masculina inspirada em lutas de boxe dos anos 1940. Nem só os uniformes dos pugilistas foram para a passarela e também os espectadores, todos elegantes, de terno e chapéu. O matelassê aparece nos blusões e até nas botinhas.
A mineira Vide Bula encerrou o dia contando uma história de Alice no País das Maravilhas bem adaptada aos tempos atuais. A menina é colegial, mas sem perder o bonde da modernidade. Tanto é que sabe que o veludo de seda (tanto nas saias ciganas, quanto nos casaquetos) é uma das grandes tendências da temporada.
A jornalista viajou a São Paulo a convite da organização do evento

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