O alto-astral do verão carioca foi antecipado, esta semana, na cidade maravilhosa. Em pleno mês de julho, quando a temperatura por aqui não passa de 20 graus, o clima no MAM, no aterro do Flamengo, pega fogo. Não bastasse a belíssima vista da Baía de Guanabara, o que está sendo mostrado na passarela do Fashion Rio também é, para usar uma gíria do metier, ''tudo de bom''. O evento, que começou anteontem e termina sexta-feira, reúne 25 grifes, a maioria do Rio de Janeiro. Há ainda uma marca capixaba, uma baiana, três mineiras, duas paulistanas e uma colombiana.
Dando continuidade aos lançamentos para o verão 2004, os desfiles do Fashion Rio acontecem em quatro tendas batizadas com nomes de praias e pontos turísticos da cidade. Enquanto em São Paulo os destaques eram as tops, na semana carioca os artistas ganham os flashes: na passarela, na platéia, nos estandes dos patrocinadores. A impressão é de que o Projac é aqui. Hoje, o burburinho deve ficar por conta da presença de Caetano Veloso, convidado para incrementar a primeira fila no desfile de Andréa Saletto.
Outros momentos aguardados pelos fashionistas são as apresentações de moda praia, uma vez que as grifes cariocas são referências nacionais no assunto. A primeira a desfilar, anteontem, fez jus à expectativa. Buscando novas formas de enxergar um biquíni, a estilista Jacqueline De Biase, da Salinas, encontrou o olhar de uma adolescente carioca. Bingo... Com penduricalhos coloridos de acrílico, bottons, fitinhas e desenhos de cartões postais do Rio - as peças vão virar hit.
Das estampas camufladas, bordadas com corações de paetês ou contornadas com babadinhos, às ilustrações da menininha carioca com seu gatinho de estimação, toda a coleção tem ares de objetos de desejo. A novidade tecnológica é o tecido Neo Power, desenvolvido pela Rosset, que promete ''segurar'' tudo por conta da maior percentagem de Lycra.
Ver glamour em lugares improváveis é, de fato, um talento dos criadores de moda. No caso da dupla Marco Maia e Luciano Canale, da grife Sta Ephigênia, a ferida aberta da cidade maravilhosa foi o local escolhido. Com vestidos de chita paetizados, modelitos vaporosos de seda pintada a mão e muitas pulseiras coloridas, eles fizeram uma leitura fashion da favela, num protesto sugerido pelos versos de Bezerra da Silva, que encerraram o desfile: ''A favela nunca foi reduto de marginais/essa verdade não sai nos jornais''.
Responsável pelo estilo da Maria Bonita depois da morte da estilista Maria Cândida Sarmento, a estudante de moda Danielle Jensen manteve a atitude cool e chique da marca ao criar peças em algodão manchado, com interferências de cores vivas nos barrados e com o brilho dos paetês. Já a mineira Coven fincou pé no clima new wave dos anos 80, abusando das cores vibrantes em listras e grafismos com fios tecnológicos. Encerrando a noite, a baiana Márcia Ganen trouxe à passarela uma trama inusitada: tops feitos com emaranhado de fios, numa referência aos ninhos dos pássaros.
A jornalista Rosângela Vale viajou à convite da organização do Fashion Rio.

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