São Paulo - A Mocidade Alegre foi a grande campeã do Carnaval de São Paulo em 2014. A escola do bairro do Limão, zona norte da capital, recebeu 259,7 pontos na apuração realizada ontem, ficando à frente da Rosas de Ouro e da Águia de Ouro, vice-campeã e terceira colocada respectivamente. Pérola Negra e Leandro de Itaquera foram as rebaixadas para o grupo de acesso.
É o terceiro título consecutivo da Mocidade, que consolida sua hegemonia neste século ela já havia sido campeã em 2004, 2007 e 2009.
Terceira escola a entrar no Anhembi no segundo dia do Carnaval paulista, a Mocidade fez um desfile consistente que empolgou público e era apontada por especialistas como a principal favorita ao título. Seu desfile, com muito dourado e branco nos adereços, contou com mais de 3 mil componentes.
A escola recorreu ao tema da fé, com o enredo "Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar" para alcançar o tricampeonato, o que não acontecia há 26 anos. A façanha foi alcançada pela última vez em 1988, pela Vai-Vai.

O enredo da Mocidade não deixou de ser também uma homenagem à presidente da escola, Solange Bichara, conhecida por seus gestos fervorosos, como segurar vários terços nas mãos antes da escola entrar na avenida. "Em 2013, ganhamos o bicampeonato, mas passamos por uma apuração muito apertada. Foi um sofrimento muito grande porque foi tudo definido por décimos. Depois daquilo, a presidente Solange Cruz teve a ideia de fazermos um enredo sobre a fé", contou o carnavalesco Sidney França.

Além de repetir o costume, a presidente da escola fez juz à fama de supersticiosa ao jogar moedas ao chão antes de a Mocidade entrar na avenida.

Como de praxe, a escola caprichou na maquiagem e na pintura de seus componentes. Pontos notáveis do desfile foram suas alas coreografadas. Ao menos no samba, a escola reuniu o budismo, candomblé, islamismo ao longo de suas alas.
Por vezes, quando o samba dizia "De joelhos eu vou cantar", praticamente todos os componentes se ajoelham na avenida. "É a nossa cara fazer algo diferente", disse Solange Cruz, já na dispersão.
Outro destaque frequente na Mocidade ao longo dos anos é seu grupo de intérpretes. Há anos, a escola é elogiada pela afinação e sintonia entre seus cantores.
Também tiveram espaço na evolução da escola crenças como a numerologia e a astrologia. Uma das alas da trouxe galhos de arruda de verdade. Enquanto desfilavam, seus integrantes iam perfumando a avenida.

A escola, no entanto, teve que correr no fim da apresentação. Na área da dispersão, membros da direção estavam apreensivos com o horário. A dois minutos do horário limite, que é de uma hora e cinco minutos, a presidente da escola precisou ser amparada por agentes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A escola conseguiu desfilar em cravados 65 minutos. "Graças a Deus deu tempo", disse a presidente Solange Cruz, que foi atendida no posto médico mas retornou ao desfile. Integrantes da Mocidade distribuíram medalhas de são Jorge à plateia. Muitos dos que recebiam, beijavam o adereço e agradeciam.

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