Moby e seu alegre compêndio 'dance'
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quarta-feira, 14 de maio de 2008
Jotabê Medeiros<br> Agência Estado 
Não há dúvida que ''Last Night'', o novo disco de Moby não é uma unanimidade. Muitos o rejeitam peremptoriamente, por achar que é redundante e meio ''farofeiro''. ''Last Night'', não por acaso, remete-se diretamente a um clássico dos clubs de 1982, ''Last Night a DJ Saved My Life'', do Indeep.
Mas Moby é Moby, já inscreveu seu nome na história por ter ajudado a dar personalidade e sofisticação à música eletrônica, em meados dos anos 90. Não é possível ouvir qualquer faixa de seus discos, como ''18'' e ''Play'', e não saber imediatamente de quem se trata, com suas atmosferas de rock espacial, inefáveis pianinhos e os scats rasgados de cantoras de R&B. ''Last Night'' traz vários convidados, como a cantora Sylvia, da subestimada banda Kudu, de Nova York, que Moby considera ter algo de Billie Holiday. Moby falou à Agência Estado.
Depois de um sucesso como ''Play'', que vendeu milhões ao redor do mundo, como é voltar ao tamanho real? Quero dizer: não é mais possível vender um milhão de discos na nova conjuntura da indústria musical.
No início, eu nunca imaginei que ia ter um contrato para fazer música. Nunca imaginei ter uma carreira como músico. Eu comecei fazendo música no meu quarto, aproveitando a experiência, fazendo a coisa com prazer. Ganhava a vida como professor. É claro que sou muito grato pela possibilidade de ter feito tanto sucesso, de ter tocado para milhares, de ter ido a lugares aonde jamais poderia ter ido sem o sucesso. Mas minhas motivações ainda são as mesmas.
Você tem uma experiência na internet, o site 'Moby Gratis', no qual dispõe música livre. Você acredita que está ali o futuro da música?
Não sei. É o que quero fazer para ajudar, não estou planejando nada revolucionário, simplesmente estou liberando música que possa ser usada por cineastas e estudantes de cinema que queiram usar em suas trilhas sonoras. O site 'Moby Gratis' já foi usado por 4 mil pessoas.
O hip-hop está muito presente no seu disco, em faixas como Alice.
Em 1982, quando eu comecei a fazer música, o que mais me influenciava era o hip-hop de Grandmaster Flash, aquela cena de Nova York e Washington. Eu fui DJ por muitos anos, e esse disco tem a pretensão de resgatar algo daqueles anos, a forma como a dance soava nos clubes de Nova York, por exemplo. Um tipo de compêndio dos últimos 25 anos de minha experiência nos clubes. Um dos colaboradores nesse disco inclui Grandmaster Caz, um dos pioneiros do rap em Nova York.
A dance music sempre está se renovando, e agora parece que é a hora de uma cena new rave, não?
Acho que é uma hora boa para toda a música, especialmente a dance indie. Há diversos grupos muito bons, como Klaxons, Simian Mobile Disco, Justice. Há espaço para cada diferente fatia da dance indie, porque a internet democratizou tudo isso. Gosto da cena new rave, porque, se você presta atenção à abordagem deles, vê que é interessante e fresca, com aquele background do rock e a pulsão da dança.


