MOBILIZAÇÃO - Protesto contra a baixaria na TV
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sexta-feira, 15 de outubro de 2004
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O teste é simples. É só ligar a televisão em qualquer horário do dia para perceber que a programação geral, com raras exceções, não é exatamente o que podemos chamar de educativa. Cenas de sexo, violência e ridicularização das pessoas são algumas das queixas mais comuns dos espectadores mais exigentes, além do horário impróprio em que alguns programas são exibidos. Para tentar mudar a situação, ou pelo menos conscientizar a população sobre a (má) qualidade da programação das emissoras, a Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, em Brasília, está promovendo a campanha ''O Dia Nacional Contra a Baixaria na TV''.
Participar da campanha também não é tarefa complicada. Basta desligar a televisão durante uma hora amanhã, mais precisamente entre às 15 e 16 horas.
Nesse horário, a TV Nacional de Brasília vai exibir um debate ao vivo, em rede nacional, sobre a qualidade da programação da televisão aberta, com retransmissões para emissoras públicas, estatais, legislativas, comunitárias e universitárias.
Esta é a primeira vez que uma mobilização nacional acontece, mas a campanha existe desde 2002. Em novembro daquele ano, foi colocado no ar um telefone (0800 619619) para receber denúncias sobre a programação de tevê e um site com o mesmo intuito (www.eticanateve.org.br).
Desde que foi criado, o site já recebeu mais de 15 mil e-mails. As denúncias são avaliadas por representantes da Comissão de Direitos Humanos e do Conselho Federal de Psicologia. A partir das denúncias, os patrocinadores do programa em questão são contatados e é feito um apelo para que eles retirem o patrocínio. Este ano, aliás, a campanha tem como mote o tema ''Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania'' e quer atingir principalmente os patrocinadores de programas, que de alguma forma fazem apologia à violência ou ao sexo.
Por meio do site, a Comissão dos Direitos Humanos consegue fazer um ranking dos programas que recebem mais denúncias. Na pesquisa mais recente, feita entre maio e início deste mês, o programa exibido pela Rede TV ''Tardes Quentes'', apresentado por João Kleber está no topo das listas dos dez programas mais denunciados. Recebeu 85 reclamações sobre o horário impróprio da apresentação do programa, apelo sexual e incitação à violência.
A novela ''Celebridade'' (Rede Globo), que já saiu do ar mas entrou na pesquisa, ficou em segundo lugar. A principal reclamação eram as cenas de sexo e as imagens que incitavam à violência. O ''Programa do Ratinho'' (SBT), ficou em terceiro lugar, seguido da atual novela das 8 da Rede Globo, ''Senhora do Destino''. O programa ''Pânico na TV'' aparece em quinto lugar. A principal reclamação é sobre os quadros que ridicularizam os participantes.
A novela ''A Cor do Pecado'', que também já saiu do ar, ficou em sexto lugar, seguido do programa ''Cidade Alerta'', apresentado por Marcelo Resende e pelo programa ''Casos de Família'', apresentado durante a tarde por Regina Volpato e exibido pelo SBT. O programa ''A Casa dos Artistas'', o reality show também exibido pelo SBT, ocupou o nono lugar do ranking, seguido do programa ''Brasil Urgente'', apresentado por José Luis Datena, da Bandeirantes.
A Comissão de Direitos Humanos tem uma pesquisa recente sobre os programas mais denunciados pelos telespectadores: no topo do ranking aparece Tardes Quentes, comandado por João Kleber na Rede TV; em segundo lugar a novela Celebridade, da Rede Globo, embora já tenha terminado, e em terceiro o Programa do Ratinho, do SBT


