Erika Palomino
Agência Folha
Começa hoje em São Paulo a sétima edição do MIX Brasil, o Festival da Diversidade Sexual. São 184 filmes, entre curtas e longas, abordando as manifestações da sexualidade humana, suas nuances e enigmas. Este ano, uma mostra de teatro batizada de Off Mix, expande as possibilidades sexuais para fora da tela, com peças como o ‘‘Wilde’’, de Elias Andreato, e a leitura da novíssima dramaturgia da cantora Vange Leonel em ‘‘As Sereias da Rive Gauche’’. Com tudo isso, trata-se da melhor, maior, mais integrada e consistente edição do festival.
A programação consegue contemplar, por exemplo, um filme japonês sobre o universo da prostituição adolescente em Tóquio (‘‘Febre dos Vinte Anos’’, de Ryosuke Hashiguchi) e o simpático ‘‘Lola & Bilidikid’’, em que um jovem turco se envolve com um travesti no mundo gay da Turquia. Ao mesmo tempo, ‘‘Hurly Burly’’ evoca o universo hollywoodiano com Meg Ryan, Sean Penn e Kevin Spacey na história de três solteirões fanfarrões.
O Mix Brasil sai do gueto sem perder sua identidade. ‘‘Hurly Burly’’ se presta a emblema desse novo momento – tanto que foi oferecido ao MIX pelo próprio diretor, Antony Drazan, em Los Angeles. E mesmo a penetração do festival este ano também se deve ao trânsito de seu diretor, André
Fischer, no circuito dos festivais internacionais, intensificado nos últimos três anos (em 98 Fischer foi júri do prêmio cult Teddy Bear, do Festival de Berlim).
‘‘A vantagem disso é que pude assistir mais coisas e realmente começaram a me oferecer os filmes. Finalmente entenderam o espírito do festival’’, diz Fischer, 35. Em retribuição e como prova desse saudável intercâmbio, vinte e dois convidados estrangeiros estarão no Brasil para conferir e acompanhar o sucesso do evento, entre produtores como Sean Merriam, de ‘‘Francesca Page’’, com Rossy de Palma, e realizadores como Monika Treut, referência-mor da cinematografia lésbica, que ganha retrospectiva no Mix. Mas a parte mais coruscante do elenco gringo será composta sem dúvida pelo mega-astro pornô Lukas Ridgeston (‘‘Behind the Scenes’’) e a drag queen nova-iorquina Candys Caine, a Gill de ‘‘Charlie, the Movie’’, inspirado, claro, no seriado ‘‘As Panteras’’.
Compondo os dez dias de intensa ferveção fílmica e cênica, há programas como ‘‘O Mapa das Minas’’, em torno do qual deverão se reunir (como nos outros anos) as bolachas mais lindas da cidade, e a mostra competitiva em si, com dez curtas nacionais (‘‘After The Fox’’, de Duda Leite, ‘‘Carta Aberta’’, de Fabiana Prado, e ‘‘Os Clubbers também Comem’’ entre eles). O troféu Ida Feldman fica para quem melhor se autopromover durante o evento. O Mix Brasil 99 vai até 22 de novembro em espaços diversos, como o Espaço Unibanco, Centro Cultural, MIS e outros locais de São Paulo.

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