Mesmo quem não lê partituras e não esbanja conhecimento sobre a história da música tem espaço a ser desfrutado no Ciclo de Conferências do 26º FML. E aos amantes da música nacional, um motivo a mais para participar da palestra que acontece hoje, a partir das 18h15, na Associação Médica de Londrina. Sob a coordenação do professor Sérgio Molina, a pauta percorrerá as ''As Cinco Matrizes da Composição da Música Popular Urbana no Brasil'', ilustrada com histórias, CDs e DVDs. Afinal, quais seriam essas matrizes? Antes de responder, Molina explica que no início do século passado, a música popular ainda estava se fixando. ''Nesses primeiros 20 anos, o samba não era um ritmo tão comum quanto após a década de 30, que tornou o Brasil o país do samba. Entre 1900 e 1915 nasceram cinco compositores que originariam essas matrizes: Noel Rosa, Luiz Gonzaga, Dorival Caymmy, Pixinguinha e Cartola'', disse.
Segundo o professor, Noel Rosa gerou o 'samba branco', classe média e carioca. Gonzaga, trouxe para o Sudeste todos os elementos da música nordestina, incluindo baião, xote e xaxado. Caymmi, já seria o ícone que gerou o samba vindo da Bahia sem a característica principal do ritmo, mas a preocupação em harmonizar melodia e letra. Nascido na virada do século XX, Pixinguinha levou adiante a matriz da música instrumental brasileira, evidenciando a interepretação do Choro da década de 40. Cartola é o fundador da Mangueira e uma referência nas escolas de samba. Com seu estereótipo de sambista (negro e pobre), também foi peça fundamental para o samba-canção, altamente refinado do ponto de vista de poesia e melodia.
''Se a gente estudar bem essas cinco vertentes compreenderemos que, esses compositores que surgiram do Tropicalismo para cá, são descendentes de algumas dessas linhagens ou de uma mistura dessas linhagens'', acrescentou o professor. Por exemplo, de acordo com Molina, é nítida a influência de Noel Rosa na obras de Chico Buarque, também carioca de classe média, branco e cronista como Noel. Luiz Gonzaga tem presença notável nas obras de Gilberto Gil, que uniu os ritmos nordestinos com pitadas de Beatles. Em alguns clássicos de Caetano Veloso, traços de Caymmi. Cartola, por sua vez, surge com forte influência no repertório de Paulinho da Viola.
Sérgio Molina é formado em Composição e Mestre em Musicologia pela Universidade de São Paulo. É professor de Análise, História do Jazz e Música Brasileira na Faculdade Santa Marcelina e na Uni-FMU em São Paulo. Tem diversas premiações em Festivais de Canção e Concursos de Composição.

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