O ‘‘novo’’ metal sucumbiu ao clichê. São tantas bandas recorrendo às mesmas fórmulas que o gênero ameaça pasteurizar-se numa mistura indigesta de guitarras distorcidas, vocais abafados, bateria programada e efeitos eletrônicos.
O que parecia renovação de um estilo estagnado, virou regra. O último pacote de lançamentos da gravadora Abril Music, que licencia para o Brasil o catálogo do selo Slipdisc Records, é exemplar. Tanto Phobos da banda canadense Voivod, quanto Unclean dos americanos do Rorschach Test e Atonment do duo de Chicago Final Cut apresentam sintomas de desgaste na tentativa de fugir da ortodoxia metaleira.
Reprodução‘‘Atonment’’, do Final CutVoivod é um dos precursores na fusão de vertentes. Começou thrash na metade dos anos 80. Depois foi introduzindo ruídos ao som. Seu sexto álbum é sombrio, arrastado, com vocais agonizantes e guitarras nervosas. Revela influências do antigo Sepultura, particularmente os vocais de Max Cavalera. Inclui uma canção feita em parceria com Jason Newsted, do Metallica, e uma cover de ‘‘21st Century Schizoid Man’’, do grupo progressivo King Crinson.
Reprodução‘‘Unclean’’, do Rorschach TestNão abusa da eletrônica, mas abraça cacoetes do rock industrial, estilo por sua vez adotado anemicamente pelo Rorschach Test. Já o Final Cut faz um techno-rock com intragáveis batidas dance. Não tem peso, não tem agressividade e muito menos o apelo de pista que caracteriza, por exemplo, o big beat, a ramificação ‘‘mais rock’’ do techno representado por nomes como Chemical Brothers, Fatboy Slim e Prodigy.

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