Mistura brasileira em concerto
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Nelson Sato <br> <br> Reportagem Local 
Há três anos, a pesquisadora americana Daniella Thompson publicou um estudo surprendente sobre o balé ''O Boi no Telhado'' (Le boeuf sur le toit), escrito pelo compositor francês Darius Milhaud (1892-1974).
Na investigação, ela desenvolve a tese de que a peça faz uma espécie de colagem de citações de várias fontes inspiradoras embutindo 31 temas camuflados, todos de autoria de compositores brasileiros - entre eles nomes conhecidos como Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga e outros menos ilustres como Alexandre Levy e Marcelo Tupinambá.
O detalhismo da pesquisa impressionou o maestro Osvaldo Colarusso, entusiasta da peça e que a escolheu para abrir o concerto da Orquestra Sinfônica da UEL amanhã no Teatro Ouro Verde. O concerto, sob sua regência, começa às 20h30, com entrada gratuita.
''Essa obra faz um levantamento preciso da música popular brasileira produzida na primeira década do século 20. É uma peça excepcional. Fez um sucesso tão grande na estreia que, logo depois, foi aberto um café em Paris com o seu nome frequentado pela elite cultural francesa como Picasso e Jean Cocteau'', assinala ele.
Para o concerto de amanhã, o maestro preparou material didático para enriquecer a execução de ''O Boi no Telhado'' mostrando as gravações originais que lhe serviram de fonte e a forma como elas foram apropriadas por Milhaud e embutidas em sua composição. ''O próprio título da peça foi tirado de um samba, cujo registro fonográfico rudimentar também vou mostrar ao público'', acrescenta.
A primeira parte da noitada, dedicada a Milhaud, traz ainda a interpretação da peça ''Concerto para Percussão e Pequena Orquestra'' com participação do solista Marcello Casagrande, percussionista da Osuel. Ele tocará quatro tímpanos, três tambores, bombo, pratos, gongo chinês, castanhola, pandeiro, triângulo, chicote e blocos de madeira e metal.
Depois do intervalo, será executada uma obra de Jean Sibelius (1865-1957): ''Suíte Karelia (Op. 11)'', com os movimentos Intermezzo, Ballade e Alla Marcia. A parte final do concerto destacará a obra de Heitor Villa-Lobos (1887-1959) com a execuçao das ''Bachianas Brasileiras nº 4'' e seus movimentos: Prelúdio (Introdução), Coral (Canto do Sertão), Ária (Cantiga) e Dança (Miudinho).
''É um programa de mão dupla'', salienta o maestro. ''Milhaud viveu no Brasil entre 1917 e 1919, trabalhando na embaixada da França no Rio de Janeiro, daí suas influências musicais. Já Villa-Lobos morou na França entre as décadas de 20 e 30, recebendo influências da música europeia'', observa.
Outra informação que liga os dois é que foram os compositores que mais criaram ao longo do século passado. Milhaud deixou cerca de 900 obras enquanto Villa-Lobos deixou cerca de 800. A quantidade, neste caso, coincidiu com a qualidade.
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