Mister guitarra
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de outubro de 1998
Rodrigo Teixeira Cult Press 
Desde o final dos anos 60, George Benson é aclamado como um grande guitarrista de jazz e, principalmente, um virtuose na criação de improvisos. Após quase três décadas, o músico americano, natural de Pittsburgh, na Pensilvânia, mantém a fama. Em seu novo disco, Standing Together, lançado pela Universal/MCA, George Benson aparece criativo e cheio de melodia em seus solos. Com a sua inseparável guitarra Ibanez GB-10, o músico mescla nas nove faixas do novo CD estilos diversos como jazz, funk, soul e rhythmn blues. Mistura que ele desenvolve desde a década de 70, mas que agora ganha uma pitada de modernidade com o acréscimo de levadas mais próximas do drumn bass e rap.
Apesar de exímio guitarrista, Benson não deixa de cantar também no novo CD. Das nove faixas, quatro são cantadas. Incluir as lentíssimas Standing Together, All I Know, Still Waters e Back to Love mostra a necessidade do músico cultivar o lado de cantor. Afinal, foi a sofisticação vocal de Benson que o tornou um grande vendedor de discos, atualmente quase atingindo a casa dos 80 milhões. Em 1976, o músico ganhou seu primeiro Grammy Award, de uma série de oito, com o álbum Breezin, o primeiro a ultrapassar a marca de um milhão de cópias e que mesclava justamente temas instrumentais e canções com letras.
Com produção de Paul Brown, Standing Together contou com a produção executiva do amigo de longa data Tommy LiPuma, responsável pelos maiores sucessos comerciais da carreira de Benson do final da década de 70, como Breezin, In Flight e Weekend in L.A.. Outro que botou a mão no disco foi a dupla Little Louie Vega e Kenny Dope Gonzalez, que aditivou para as pistas e transbordou de latinidade a faixa Poquito Spanish, Poquito Funk. Nesta canção, Benson foge um pouco de seu estilo e incorpora as características de Carlos Santana. O resultado é bastante dançante.
Com todos os arranjos assinados por Benson, Standing Together foi gravado em diversos estúdios norte-americanos e traz uma penca de artistas convidados. Alguns de peso, como Marc Antoine, no violão clássico em Still Waters, e o percussionista Lenny Castro na instrumental Fly By Night. Apesar de Standing Together não apresentar nada de propriamente novo na carreira de Benson, uma característica chama a atenção: o guitarrista está bastante econômico nos solos. Pelo jeito, ele lembrou de um conselho do genial Wes Montgomery, guitarrista morto em 1969. No início da carreira, Benson soube que Wes gostava de seu estilo, mas o mestre disse que ele deveria tocar mais devagar, pois poderia melhorar muito. Considerado pela crítica como sucessor de Wes, Benson seguiu à risca o conselho em Standing Together.


