Missão evangelizadora criou a trilha
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2001
Reportagem Local 
O espanhol Joseph de Anchieta nasceu nas Ilhas Canárias, em 1534, sendo mandado pelo pai, aos 14 anos, para estudar em Coimbra (Portugal), onde ingressou na Companhia de Jesus, fundada por seu primo Inácio de Loiola. Com apenas 19 anos, foi enviado ao Brasil para uma missão evangelizadora. Desembarcou primeiro em Salvador e depois rumou para a capitania de São Vicente.
Um dos principais catequizadores dos índios, Anchieta estudou a língua e escreveu a primeira gramática tupi-guarani. É considerado também, o patrono das artes cênicas nacionais, pois se valia de recursos teatrais para facilitar a evangelização.
Foi fundador de diversas cidades no país, entre elas a Vila de São Vicente, hoje São Paulo, Niterói, no Rio de Janeiro, Guarapari, São Mateus e a pequena Rerigtiba, hoje Anchieta, no Espírito Santo, onde morou nos últimos anos de sua vida. Fundou também as Casas de Misericórdia do Rio de Janeiro e de Vila Velha.
Cientista, poeta, antropólogo, diplomata e chefe de guerra, o beato José de Anchieta foi um personagem de destaque na história brasileira. Em 1563, dois anos antes de ser ordenado sacerdote, quando foi tomado como refém de índios tamoios, José de Anchieta escreveu o famoso ''Poema da Virgem'', com 5.737 versos em latim, nas areias da praia de Iperoig, hoje Ubatuba.
Apesar de sua aparência franzina, os índios chamavam o padre de abará-bebe, que significa padre voador, ou caraibebe, que quer dizer homem de asas, devido a velocidade que desenvolvia ao caminhar. Nem mesmo os problemas de saúde que o acometeram durante os últimos anos de sua vida o impediram de percorrer quinzenalmente a distância entre a aldeia de Rerigtiba, hoje Anchieta, e o Colégio de São Thiago, sede da congregação, na capital da província.
Talvez seja por isso que ainda hoje sejam creditados a ele diversos feitos, ditos milagrosos para a população, desde curas até o aparecimento de poços de água ao longo do caminho.
Quando morreu, em 9 de junho de 1597, as províncias de São Paulo, Salvador e Espírito Santo reivindicaram para si o direito de sepultar o corpo do padre. Mas a embarcação que levava o corpo, que foi primeiramente sepultado no Colégio de São Thiago (atual Palácio Anchieta) para a capitania de Salvador, naufragou no caminho. Os restos de Anchieta ficaram no mar.


