‘Missa em Si Menor’
é uma obra complexa
Em 1733 Bach era diretor musical em Leipzig. Neste ano, o príncipe Friedrich August I, da Saxônia, morreu. Bach vislumbrou na morte do monarca a possibilidade de pleitear o título de compositor da corte. Para agradar ao novo príncipe, Friedrich August II, que era católico, o fervoroso luterano Johann Sebastian Bach compôs as duas primeiras partes daquela que viria a ser chamada ‘‘Missa em Si Menor’’, o Kyrie e a Glória. Ainda em 1733 a missa foi executada em Dresden. Três anos mais tarde, Bach conseguiu o título de compositor da corte de Dresden, que tanto almejava.
De 1737 a 1742, Bach dedicou-se exclusivamente ao estudo da polifonia latina, composições litúrgicas e das técnicas tradicionais de contraponto. Todo este estudo visava a conclusão de uma obra de grande complexidade. Como exercício, no final da década Bach compôs duas pequenas missas. Foi somente em 1745 que ele compôs a principal parte da ‘‘Missa em Si Menor’’, chamada Symbolum Nicenum, que contém o Credo.
A Missa só foi concluída em 1748, quando Bach adicionou o Sactus, curiosamente composto antes das demais partes, em 1724, e a Osana.
A estrutura da ‘‘Missa em Si Menor’’ é baseada na liturgia do ritual Católico Romano. Contudo, bom protestante que era, Bach organizou a missa em quatro grandes partes, ao invés de cinco, como manda a tradição católica, refletindo sua postura de luterano ferrenho. A principal diferença, porém, é quase imperceptível. Trata-se da mudança do nome Credo para Symbolum Nicenum.
O fato de Bach ter composto uma Missa ainda é motivo de várias especulações. Há quem diga que a obra não pertence ao compositor. Sabe-se, porém, que, durante a Reforma, período de cisão dentro da Igreja, entre protestantes e católicos, missas latinas eram compostas sem problemas por músicos protestantes, que não repudiavam o ritual católico, mas apenas seus dogmas.
Bach jamais ouviu sua maior obra. A ‘‘Missa em Si Menor’’ só foi executada integralmente em 1835, quase cem anos depois de composta.(P.P.)

mockup