Era junho 2005 quando a cantora brasileira Marina de la Riva pisou na ilha de Cuba pela primeira vez. Deixou suas malas rapidamente num hotel e correu. Queria chegar no Malecón, uma charmosa avenida em Havana que acompanha o litoral norte da cidade por sete quilômetros. Ali, ela encontrou um pouquinho de si. Encarou o mar do Golfo do México, o mesmo horizonte que testemunhou o início da paixão dos seus avós, há 80 anos. ''Agora, era a vez de fazer a minha história'', diz.
Filha de um exilado cubano com uma mineira de Araguari, no triângulo mineiro, ela nasceu em Campos de Goytacazes, no litoral norte do Rio de Janeiro. Dessa heterogeneidade surgiu uma voz poderosa, que passeia com segurança entre as sonoridades entre Cuba e Brasil. Seu pai, um cantor apaixonado por música lírica cubana, é, talvez, o culpado por fazer com que ela tenda a soar mais como uma cantante do que cantora. ''Estar no palco me leva imediatamente a tudo o que vivi'', diz Marina, que dividia as canções do pai com Queen, Tom Jobim, Cazuza e Maria Bethânia.
O resultado dessa viagem pôde ser ouvido no disco ''Marina de la Riva'', há três anos. Entre marchinhas, sambas e baiões, ela acrescentou habaneras, congas e afoxés cubanos, sendo que todas as músicas da ilha foram gravadas naquele mês em 2005, em Havana, com exceção de ''Ojos Malignos'', de Juan Pichardo Cambier, que teve a participação especial de Chico Buarque.
O que antes só poderia ser ouvido, ganhou cor e imagem. Marina acaba de lançar o DVD ''Ao Vivo em São Paulo'', com três participações inusitadas: Pupillo, baterista e percussionista do Nação Zumbi, Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, e Paulo Flecha, filho da cantora de 14 anos.

mockup