Curitiba - O Museu da Imagem e do Som (MIS) de Curitiba acredita ter encontrado uma solução para sair do marasmo em que mergulhou nos últimos anos. Ontem, a nova diretora do MIS, Maria Amélia Junginger, coordenou a primeira reunião para a criação da Associação dos Amigos do MIS, uma entidade que pode dar fôlego a um dos museus mais renegados do Estado. O prédio e o acervo do MIS, assim como outros museus paranaenses, vêm sofrendo com as intempéries e com a falta de recursos destinados à conservação do espaço.
A gota d'água foram as chuvas dos últimos dias, que abalaram a forração do prédio colocando o acervo de milhares de negativos fotográficos, vitrolas, fotografias, discos e fitas de vídeo em risco. Parte do teto do laboratório fotográfico caiu. Há rachaduras nas paredes e inúmeras goteiras. A situação inviabiliza o atendimento ao público.
Criado em 1969, o MIS já dividiu espaço com outras instituições e passou por duas sedes até ocupar o prédio atual, na Rua Barão do Rio Branco, 395, em frente ao Centro de Convenções de Curitiba. Era para ser um espaço nobre, dado a história do prédio tombado pelo Patrimônio Histórico, mas pouca gente que passa pelo endereço sabe (ou percebe) que ali funciona um museu dedicado a resgatar e preservar a memória do audiovisual do Paraná. Principalmente porque o museu já começou o ano de portas fechadas. ''Por enquanto não temos condições de atender ao público, estamos nos dedicando a levantar o que restou do acervo'', diz Maria Amélia.
A diretora conta que nos últimos anos o acervo sofreu algumas baixas, tanto por desaparecimento, como por questões técnicas que ajudam a deteriorar o material. São 380 mil negativos de acetato e em vidro (suporte usado até meados do século passado); cerca de 15 mil discos 78 rotações e 8 mil discos em 38 rotações; além de partituras, óperas completas, registros audiovisuais de espetáculos do Teatro Paiol e gramofones. ''É muito caro manter todo esse acervo e o museu não tem orçamento próprio'', observa Maria Amélia.
Ela ressalta que viabilizar projetos de reforma, manutenção e pesquisa é uma das metas na criação da Associação de Amigos do MIS. A associação pode, por exemplo, propor projetos na Lei Rouanet, a lei federal de incentivo à cultura que deduz a verba investida por uma empresa no Imposto de Renda (IR). Pode também viabilizar recursos através de empresas privadas como uma alternativa ao escasso orçamento estadual dedicado ao espaço. ''A associação não é uma forma de burlar as licitações previstas pelo Estado para algumas situações, mas uma maneira de agilizar os projetos e mobilizar a comunidade'', adianta Maria Amélia.
Algumas importantes instituições do Brasil, como a Pinacoteca de São Paulo, foram ''salvas'' da desintegração a partir da criação de uma associação semelhante. O próprio MIS já tem uma experiência com uma associação que reunia o Museu de Arte Contemporânea (MAC) e o Museu Paranaense. ''Mas achamos que o MIS tem vocação própria e deve andar com as próprias pernas'', diz a nova diretora. Ela assume o museu depois de uma experiência como diretora do MAC, na última gestão do governador Roberto Requião (1991 a 1994). Nos últimos oito anos trabalhou como voluntária na federação que reúne todas as associações nacionais de amigos dos museus e na Associação Paulista de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais.
Quando assumiu o museu, a convite de Requião, Maria Amélia encontrou um espaço ''abandonado'', mas que segundo ela, pode ser visto como um ''patinho feio''. A transformação em cisne, no entanto, pode demorar. O prédio ainda deve passar por uma análise técnica, assim como outros espaços culturais da cidade, antes de integrar um projeto de reforma. Segundo Maria Amélia, o Decom, departamento que cuida das obras no Estado, já está dando início ao projeto.
Enquanto isso, a Coordenadoria Estadual do Sistema de Museus (Cosem) da Secretaria da Cultura, quer incentivar a criação de novos museus no interior do Estado e já assinalou a inauguração de museus na Lapa e em União da Vitória. A decisão acontece paralela à crise de identidade dos museus paranaenses que, assim como o MIS, passam por sérios problemas estruturais. ''Mas são necessidades diferentes, o Interior também precisa aprender a resgatar e preservar a sua memória'', conclui.