MIS abre espaço para a videoarte dos brasileiros
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de abril de 2000
Por Flávia Guerra 
São Paulo, 03 (AE) - O Museu da Imagem e do Som, o MIS, vai mudar sua forma de relacionamento com o público. "Vídeo 2000", projeto que inaugura amanhã (04) a programação do museu deste ano, vai valorizar a vocação do MIS como espaço aberto para a discussão, investigação e reflexão sobre arte em vídeo. "Sempre recebemos muitas produções, desde as amadoras até as profissionais", conta a nova coordenadora do setor visual do museu, Christina Mello. Mas não era o bastante. "Percebemos que falta referência aos videomakers brasileiros; eles produzem muita coisa mas não fazem nem idéia do que já foi feito no mundo".
Sérgio Nesterivk, produtor cultural do MIS, completa: "Muitas vezes recebemos trabalhos geniais mas quase iguais ao que se fazia nos anos 70; é como começar sempre da estaca zero". Na opinião deles, a videoarte foi favorecida pela democratização do acesso aos meios eletrônicos. "Nos anos 80, ninguém tinha câmera porque os equipamentos eram muito caros", explica o produtor cultural Teco Franco. "Hoje, qualquer um sai filmando; o vídeo está adquirindo a função da fotografia".
Mas esse "novo artista" tem de ter a chance de conhecer a história da videoarte. "As fontes de referência dos vídeos que analisamos são a televisão e a publicidade; agora, com o computador, o ritmo de produção vai ser ainda mais acelerado", completa. O fato de ser uma arte nova também dificulta o conhecimento. "A videoarte surgiu nos anos 50, mas ganhou força mesmo há 20 anos", conta Christina. "Agora é que estão surgindo referências e conceitos; não é como a pintura, que possui uma história de séculos", diz Sérgio. Vídeo 2000 - Para levar a esse novo público formação e informação, além de promover o encontro com estudiosos e produtores culturais, foi criado o projeto "Vídeo 2000", com vários módulos, que se complementam. O primeiro deles é "Referências Videográficas", que vai mostrar e contextualizar a obra de um artista, utilizando o acervo do MIS. O tema da primeira mostra é José Aguilar, com exibição de trabalhos a partir das 18 horas de amanhã.
Aguilar também é tema do Grupo de Estudos e Discussões - A Arte em Vídeo no Brasil, que todo mês vai discutir o que está sendo criado e o que já foi produzido no Brasil. A primeira sessão será no dia 11, às 20 horas. Já o módulo "Vídeos Inéditos" tem objetivo quase oposto ao de "Referências". Como o nome diz, vai lançar os novos trabalhos. Os temas da programação englobam de videoarte a documentários, passando por animação e publicidade. "O que importa é mostrar para o público", diz Christina. Aproveitando as comemorações dos 500 Anos do Brasil, a atração deste mês será o lançamento dos vídeos "No Tempo das Chuvas", "Wapté Mnhõnõ" e "Moyngo", realizados por índios que participam do programa Vídeo nas Aldeias. Espaço também aberto à reflexão sobre questões atuais e multiculturais, o módulo Painel Temático aborda, neste mês, o tema O Índio: "Representação e Auto-imagem". "Além de mostrar como o índio se retrata nos vídeos que produz, vamos discutir como sua imagem foi tratada no cinema, por meio de mostras e debates com estudiosos", conta Christina.
Outra atração que vai expressar o novo modo de o museu relacionar-se com o público vai ser a "Mostra MIS de Vídeo", que foi criada em 1997 e reúne os mais importantes trabalhos realizados em vídeo no País. Neste ano, a mostra será realizada em novembro e vai contar com várias atividades. As atividades do projeto Vídeo 2000 têm entrada franca.


