Um texto escrito no século 18 foi readaptado para o final do milênio e estará hoje e amanhã no palco do Mini Guaíra, em Curitiba. ‘‘Mirandolina’’, de Carlo Goldoni, chamado originalmente de ‘‘La Locandiera’’, fala da esperteza do ser humano, abordando principalmente as peripécias femininas.
Fernanda Nogas é quem dirige a adaptação, encenada pela Trask Trash & Cia. A nova montagem conservou o figurino de época e o texto original, mas alterou radicalmente o cenário, utilizando móveis coloridos e contemporâneos.
Segundo a diretora, não há riscos de que o público se perca nas datas. ‘‘O forte é a representação e o texto’’, diz a diretora. Além disto, ela garante que o tema é muito atual e que não se choca com o cenário moderno.
O espetáculo conta a história de Mirandolina, uma hoteleira jovem e bonita, que vive na cidade de Florença. Dona de uma inteligência sagaz e de um humor astucioso, ela usa suas artimanhas femininas para tirar proveito das situações em que se envolve. ‘‘Ela se aproveita de todos os nobres da cidade, até que conhece um, que não se apaixona por ela’’, conta a diretora.
A idéia de encenar ‘‘Mirandolina’’ surgiu em 1997, quando o grupo ainda era amador e tinha a proposta de contextualizar clássicos do teatro. A companhia Trask Trash & Cia decidiu trazer a personagem para os tempos atuais, conservando as características que fizeram dela um clássico. Mirandolina já foi representado por atrizes de todo o mundo, incluindo Fernanda Montenegro.
O cenário é fixo e estilizado, o que diminuiu os custos da peça. Em contrapartida, os figurinos são ricos e foram desenvolvidos à partir de um trabalho de pesquisa. ‘‘Eles são fiéis à época, extremamente bonitos e fornecem uma linguagem própria para a peça’’, explica a diretora. A maquiagem dá o complemento final ao espetáculo.

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