Miramax foi a grande vencedora da noite
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Celso Mattos 
Ao contrário do ano passado, quando Titanic foi o grande vencedor da noite, arrebatando 11 estatuetas, este ano a premiação da 71ª Edição do Oscar ficou bastante dividida. O Regaste do Soldado Ryan, que era o favorito da noite, acabou ficando com cinco prêmios e Shakespeare Apaixonado, com sete Oscars. Com isso, a Academia quebrou duas regras: escolheu como melhor filme uma comédia, o que dificilmente acontece, e não premiou como melhor filme o que ganhou como melhor diretor, no caso, O Resgate do Soldado Ryan.
Na verdade, a grande vencedora do Oscar 99 foi a Miramax. O lobby feito pelo Estúdio conseguiu arrebatar os Oscars de melhor filme estrangeiro para A Vida É Bela, melhor ator para o italiano Roberto Benigni - o primeiro ator de não língua inglesa a ganhar uma estatueta - melhor atriz para a sonsa Gwyneth Paltrow e melhor filme para Shakespeare Apaixonado, ficando claro que o Oscar é uma premiação que vence quem, realmente, investe mais dinheiro em publicidade.
A cerimônia do Oscar 99, além de entrar para a história como a mais sem graça, também vai ser lembrada por duas grandes injustiças. Entre as cinco indicadas, foi premiada a pior atriz. Gwyneth Paltrow não merecia levar a estatueta. O prêmio deveria ter ficado com Fernanda Montenegro, eleita pela crítica norte-americana como a melhor intepretação feminina de 1998, ou com a australiana Cate Blanchet, por sua atuação em Elizabeth.
Na categoria de melhor ator, a Academia pisou na bola duas vezes. Primeiro deixou de indicar o ator Jim Carrey, por seu trabalho em O Show de Truman - O Show da Vida e, depois, escolheu Roberto Benigni como melhor ator. Apesar de ser um bom comediante, ele faz sempre o mesmo papel. Ou seja, está sempre interpretando a si mesmo na tela. Nessa categoria, deveria ter vencido Nick Nolte, pelo seu ótimo trabalho em Temporada de Caça ou Ian McKellen por Deuses e Monstros.
Os três filmes mais injustiçados foram Central do Brasil, de Walter Salles; Além da Linha Vermelha de Terrence Malick e O Show de Truman, de Peter Weir, que saíram sem nenhum prêmio. Três grandes produções que foram, simplesmente, esnobadas pela Academia. Um erro que, certamente, será lembrado para sempre.


