12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, nos lembra que a Padroeira do Brasil é uma santa afro-brasileira, com imagem encontrada no rio Paraíba do Sul (SP) por pescadores humildes que ao se depararem com Ela, retirada por rede das águas em dia em que a pesca estava escassa, ainda não sabiam que estava em suas mãos a escultura Daquela que seria consagrada pelo povo para unir a nação.

A Padroeira do Brasil saiu das águas em 1717, dois séculos antes da aparição de Nossa Senhora de Fátima em Portugal, em 1917. E antes da aparição de Nossa Senhora de Lourdes, em 1858, na França.

A devoção à Nossa Senhora Aparecida traz a reverência a uma mulher, condição nem sempre reconhecida num mundo de homens, mas que no Brasil , e em outros países, transformou a fé na aceitação da mãe que deu à luz Jesus Cristo e segue como a mãe de todos nós.

Em caso de doença de filho, a quem não recorremos se não à Nossa Senhora Aparecida? Em momento em que se precisa de proteção, como no Brasil de hoje, a quem pedimos que olhe pela nação com a benevolência que pode aplacar a intolerância?

Nossa Senhora Aparecida me leva a lembranças do cotidiano, da minha mãe acreditando que no seu quarto, além da imagem da santa, pairava um manto azul, uma metáfora da fé, para ensinar que sua família estava sob a proteção sutil de um manto feminino. A pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida que foi de minha mãe está comigo, guardada como a lembrança de duas mães.

Tenho também a medalhinha que meu amigo Antônio Mariano Junior, que foi meu parceiro de incontáveis jornadas de trabalho na Folha de Londrina, me deu antes de falecer. Olhando aquele pequeno ponto azul, que cabe na palma da mão, lembro-me do manto que minha mãe considerava estendido sobre nós em noites de vigília, à beira da cama dos filhos. E imagino esse ponto azul, de luz, guiando a nação brasileira há mais de 300 anos, condição que nenhuma discordância remove, porque ele está acima de nossos egoísmos e disputas.

Compreendo através de Nossa Senhora Aparecida que a fé também é amor, guardado no coração com as lembranças de minha própria mãe, Anna, que tinha o mesmo nome da mãe de Maria, como ela mesma afirmava.

Minha fé também é amor na memória que tenho de meu amigo Antônio Mariano Junior que, mesmo em dias de doença e aflição, nunca deixou de recorrer e se apoiar em "Cidinha", como carinhosamente chamava sua santa de devoção.

Nossa Senhora Aparecida faz parte de nossas infâncias e da cultura brasileira, uma tradição insubstituível quando o assunto é saber de quem nos lembramos em momentos difíceis ou de memórias doces.

Deixo aos leitores a metáfora do grande manto azul, como um céu de Primavera, neste 2026 do Brasil dos brasileiros que evocam a fé pelo amor, inundando corações como o rio antigo que nos proporcionou o primeiro milagre nas águas do Parnaíba.

Viva, Nossa Senhora Aparecida!

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