'Minha pátria é a literatura', dizia Borges
Jorge Luis Borges nasceu em 24 de agosto de 1899, em Buenos Aires. Sua família era composta por quatro origens, inglesa, portuguesa, uruguaia e argentina. Seus antepassados eram, tanto por parte de pai como de mãe, da elite militar portenha. Desde pequeno aprendeu dois idiomas, inglês e espanhol. Com 15 anos mudou-se com a família para Genebra, Suíça, onde realizou seus estudos. Posteriormente foi residir na Espanha voltando, em seguida, para a Argentina, com 22 anos de idade. Na capital portenha passou a colaborar com várias revistas literárias, trabalhando como tradutor e bibliotecário.
Quando Perón assumiu o governo da Argentina, em 1946, Borges foi transferido de seu cargo de bibliotecário para o de fiscal de feira de rua. Antiperonista e anticomunista, sempre foi considerado um conservador reacionário. Chegou a ser simpatizante dos regimes militares ditatoriais da América Latina. Com a queda de Perón, em 1955, foi nomeado pelo novo governo como diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires, cargo que ocupou por vinte anos ao longo de sua cegueira.
Na década de 60 já era um literato conhecido e publicado em todo o mundo. Passou a viver viajando por dezenas de países proferindo conferências, recebendo títulos honorários e homenagens. Foi indicado várias vezes para o Nobel de Literatura, prêmio que nunca recebeu.
Borges viveu quase toda sua vida com a mãe. Após a morte da mãe, casou-se pela primeira vez, em 1967, com 68 anos de idade, com a viúva Elza Astete Milán. Casamento que durou apenas dois anos. Numa entrevista, indagado sobre o motivo da separação, declarou: ''Ninguém entende as mulheres, nem mesmo eu''.
Nos últimos anos de existência viveu na companhia de sua jovem secretária Maria Kodama, a quem ditava seus textos. Aos 85 anos de idade, através de uma procuração feita no Paraguai, casou-se com Kodama, dezenas de anos mais jovem, fato que causou consternação na família e manchetes de jornais. Três meses depois, em 14 de junho de 1986, Borges morria vítima de um câncer no fígado. Em seu testamento deixou claro que não desejava ser enterrado na Argentina. Considerava-se um viajante cosmopolita cuja ''única pátria era a literatura''. (M.L.)





