Minha Bola, Minha Vida


Leandro Calixto
Cult Press
Leandro Calixto Cult Press

Jogador de futebol que defende o clube por amor à camisa faz parte do passado. Numa narrativa simples, porém detalhista, o ex-jogador Nilton Santos - bicampeão mundial pela Seleção em 58 e 62 - defende esta tese na autobiografia ‘‘Nilton Santos - Minha Bola, Minha Vida’’. O argumento de Nilton é justo: durante os quase 20 anos de carreira, ele jogou apenas pelo Botafogo. Nilton, que ficou conhecido como a ‘‘Enciclopédia do Futebol’’, não poderia ter escolhido melhor momento para lançar o livro. Recentemente, ele foi eleito pela Fifa como o melhor lateral esquerdo do século.
A obra, publicada pela Editora Gryphus (248 página/R$ 16,80), traz depoimentos de ex-companheiros de clube e Seleção reverenciando o ex-jogador do Botafogo. Pelé, Gerson e Zizinho são alguns que falaram do autor, que, para muitos, tinha a capacidade de anestesiar os pontas adversários antes de tomar a bola dos pobres coitados. O prefácio é assinado pelo jornalista botafoguense Armando Nogueira, que acompanhou toda a trajetória de Nilton nos gramados de todo mundo. Os dois consolidaram uma forte amizade no final da década de 40, quando tanto Armando quanto Nilton iniciavam as respectivas carreiras.
Criado na Ilha do Governador, na zona norte do Rio, Nilton confessa que para fazer um teste no Botafogo contou com alguns privilégios. Ele foi apadrinhado por um militar que o indicou para jogar no clube. Antes de começar a carreira profissional no Botafogo, Nilton revela que recusou um convite para atuar no Fluminense. Segundo ele, por ser um clube elitista. O começo no Botafogo, no entanto, foi duro. A ausência da família e dos amigos quase comprometeu a carreira de Nilton Santos. Por isso, o autor reserva um capítulo especial para o ex-presidente do Botafogo, Carlito Rocha. Se não fosse ele, o ex-jogador teria abandonado os gramados. Nilton diz que Carlito era um daqueles dirigentes que, antes de pensar na família, procurava resolver os problemas do clube.
O ex-dirigente do Botafogo também descobriu que Nilton era um autêntico lateral esquerdo e não atacante, como Nilton insistia em jogar, e acabou o convencendo a ir para a defesa. Outra passagem interessante é sobre quem o apelidou de ‘‘Enciclopédia do Futebol’’. Por ser bem articulado, Nilton Santos logo foi chamando a atenção dos cronistas esportivos da época. Nelson Rodrigues jurava que era responsável pelo apelido.
O livro ‘‘Nilton Santos - Milha Bola, Minha Vida’’ recorda também a participação do Brasil na Copas de 58 e 62. Com uma Seleção desacreditada, segundo o autor, o Brasil acabou conquistando o bicampeonato de uma forma brilhante. Ele lembra que, na Suécia, Pelé e Garrincha começaram como reservas. Mas a forte influência do dirigente Paulo Machado de Carvalho diante do grupo acabou determinando a escalação dos dois jogadores.
O autor reconhece a genialidade de Pelé, mas para Garrincha reserva uma passagem especial na obra. Ele deixa claro que uma das alegrias em sua carreira foi ser companheiro de clube de Mané. Nilton se orgulha, e com razão, de ser um dos poucos zagueiros do futebol brasileiro poupados das humilhações que Garrincha impunha a seus marcadores nos gramados.
A ‘‘Enciclopédia’’ também buscou colocar uma dose de humor no livro. Ele destacou jogadores folclóricos com quem jogou no passado. Nilton utilizou de uma narrativa engraçada para definir cada atleta. Alguns treinadores foram reverenciados pelo autor, mas outros foram escrachados, embora ele tenha se recusado a revelar os nomes destes treinadores. O livro só deixa a desejar pelas poucas fotos. São pouquíssimas imagens para registrar quem é uma verdadeira lenda do futebol brasileiro e mundial, que agora tem até reconhecimento oficial.

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