Dinahir Tostes Caymmi, a Nana, assume que gosta mesmo de estúdios. Se dependesse dela, passaria grande parte do seu tempo registrando músicas e mais músicas. ''Pareço maluca porque termino um disco e já começo a pensar em gravar outro'', diz. No entanto, ela se derrete toda ao falar de ''Desejo'' que, liricamente explica, foi concebido sob as bênçãos de uma amoreira próxima ao estúdio. ''Passei grande parte do tempo debaixo dela, olhando pra ela, descansando sob ela, buscando inspiração'', informa.
Chega a ser comovente a história cheia de minúcias que rondam a tal amoreira. Seria banal não fosse narrada por Nana, conhecida por seu temperamento forte capaz de disparar farpas e metralhar com palavras quem bem lhe convier o que ela desancou Elis Regina em outros tempos, por exemplo...
Mas a maturidade parece parece, frisemos estar trazendo a serenidade a essa senhora. Dona de uma admirável auto-estima, ela não pensa duas vezes para responder que se considera uma espécie de porta-voz oficial das canções de Fátima Guedes. ''Sou sim, embora ouvir a Leny Andrade cantando as canções dela seja uma cacetada. Mas até eu me arrepio comigo mesma quando canto suas canções'', afirma. Mais: depois dela, apenas Maria Bethânia pode ser apontada como uma grande intérprete de sua geração. ''Ela (Bethânia) diz que sou sua cantora favorita. Muitas vezes vou à casa dela para ela me ouvir cantar. Sei que atinjo sua sensibilidade''.
Durante a entrevista, Nana estava tão descontraída e feliz que até se esqueceu de soltar alguns palavrões. Apenas um ''merda'' saiu para classificar a velhice.''Não gosto e não acho bonito envelhecer. Quem diz o contrário é maluco'', avisa. ''Mas num país em que não se dá o menor valor às pessoas idosas, eu me sinto uma avó privilegiada. Graças a Deus ainda sou solicitada pela imprensa, as pessoas querem saber do meu trabalho... Enfim, minha auto-estima está nas alturas'', completa. (A.M.J.)

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