MinC exonera 70 funcionários
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Guilherme Genestreti <b> Folhapress 
O Ministério da Cultura exonerou 70 funcionários em cargos de comissão na pasta, incluindo toda a cúpula da Cinemateca. O anúncio foi publicado no "Diário Oficial" na última terça-feira. Trata-se da maior onda de demissões feitas pela gestão de Marcelo Calero, que assumiu o ministério em maio, durante o governo Temer.
Estão na lista de demitidos, por exemplo, 21 integrantes da secretaria-executiva do ministério, coordenadores de programas e assessores de gabinete. O maestro Wagner Tiso, que dirigia o Museu Villa-Lobos, no Rio, foi um dos exonerados.
Na Cinemateca foram dispensados a coordenadora-geral da instituição, Olga Futemma, além dos outros membros da diretoria: Alexandre Myazito, Nancy Hitomi Korim, Adinael Alves de Jesus e Daniel Oliveira Albano. Todos detinham cargos comissionados, contratados antes de Calero assumir.
A Cinemateca é a entidade responsável pela preservação do acervo audiovisual brasileiro e já chegou a contar com cerca de 150 funcionários até 2013. Hoje, são em torno de 30 - todos ocupando cargos técnicos e admitidos por meio de um contrato com a Acerp, organização social que atualmente gere as contratações no órgão.
Sem os cinco quadros da cúpula, "a Cinemateca para", relatou à reportagem um dos 30 remanescentes, contratado via Acerp, que pediu para não ser identificado. "Não há ninguém para assinar os protocolos", disse.
Segundo ele, a notícia "causou surpresa" em todos os membros da entidade, incluindo os que faziam parte da diretoria. A entidade vive um impasse desde 2013, durante a gestão de Marta Suplicy no MinC. Até então, a Cinemateca era gerida com apoio da SAC (Sociedade Amigos da Cinemateca), entidade sem fins lucrativos. A organização era responsável pela contratação da maior parte dos funcionários, em regime de pessoa jurídica.
Mas os repasses à SAC foram congelados em fevereiro daquele ano, quando a Controladoria-Geral da União abriu uma auditoria para investigar o convênio e a prestação de contas entre a pasta e a entidade, que movimentou cerca de R$ 105 milhões. O congelamento fez com que o ministério tivesse de recorrer a manobras para manter a Cinemateca em funcionamento. Recorreu então ao modelo das OS, entidades privadas que fazem contratos de gestão com o governo e têm autonomia administrativa.
A reportagem entrou em contato com o Ministério da Cultura. A assessoria da pasta informou que as exonerações fazem "parte de uma política de reestruturação" do MinC e que mais informações seriam prestadas em breve.
MINISTRO REBATE 'DESMONTE'
Hoje, o ministro da Cultura, Marcelo Calero, chamou de "tentativa desesperada de construir uma narrativa política" as críticas feitas por opositores do que chama de "reestruturação" da pasta, após a exoneração da cúpula da Cinemateca , divulgada pelo "Diário Oficial" desta terça-feira (26).
Em nova postagem em seu perfil pessoal no Facebook, ele se referiu à gestão anterior do MinC como "irresponsável e incompetente".
"Desmonte, para mim, é uma gestão irresponsável e incompetente que, para além de preencher mais da metade dos cargos de confiança por apadrinhados políticos, permite que o orçamento do ministério seja reduzido a míseros R$ 400 milhões e deixa como legado uma dívida de mais de R$ 1 bilhão". Calero já havia se manifestado na rede social, chamando de "levianas e irresponsáveis" as insinuações de "desmonte" do ministério e se dizendo contrário ao "aparelhamento do MinC".
"Os cargos de chefia serão exercidos, preferencialmente, por servidores de carreira", escreveu. "Não queremos um ministério que se contente com fotinhos bonitas e 'posts' 'engajados'!", completou na ocasião.


