Kraw PenasMilton: ‘‘O que me alimenta são meus amigos, meus amores, meus pais
e o trabalho’’Hoje e amanhã Milton Nascimento canta em Curitiba, no grande auditório do Teatro Guaíra, rugindo os tambores de reis na superprodução ‘‘Tambores de Minas’’. A imagem do artista em montagens franciscanas, ele, seu bonezinho e violão dá vez agora para um intérprete que em cena é dirigido por Gabriel Villela.
O diretor mineiro que fez Maria Bethânia passear num cenário de quermesse, colocou o tímido Milton em meio a imagens do barroco de Minas. Indumentárias e adereços lembram retalhos de festas típicas dos mais remotos rincões do planeta.
Ali estão citações do México, Indonésia, Malásia, Índia, China, Tibete e Japão. A direção musical e arranjos são do próprio Milton, que incluiu alguns de seus clássicos como ‘‘Saudades dos Aviões da Panair’’, ‘‘Calix Bento’’, ‘‘O que Foi Feito de Vera’’ a números recentes: ‘‘Rouxinol’’ e ‘‘Guardanapos de Papel’’.
O artista, além dos violões, toca sanfona de oito baixos. A banda que o acompanha é formada por amigos de longa data: Robertino Silva e Ronaldo Silva (percussão), Luís Alves (contrabaixo), Nivaldo Ornellas (sax e flautas), Túlio Mourão e Kiko Continentino (teclados) e a eles junta-se o mais novo, Lincoln Cheib, na bateria.
Seis rapazes de Curitiba, atores e ginastas, completam o quadro como performers: Maurício Vogue, Fabiano Medeiros, Fábio Tavares, e os acronautas Pablo, Luiz e Filé. Os rapazes cantam e atuam coreograficamente.
Valores locais - A vinda do diretor Gabriel Villela no começo do ano para encenar ‘‘A Aurora da Minha Vida’’, produção do Teatro Guaíra, resultou no aproveitamento de valores locais para duas produções: o show de Milton e a peça ‘‘Morte e Vida Severina’’, que estréia em outubro no Rio de Janeiro.
Maurício Vogue e Fábio Tavares saíram do elenco da peça para o show. Fabiano Medeiros, do Grupo Fato. Pablo, Luiz e Filé trabalhavam como ginastas numa companhia que misturava os exercícios com performances. O desempenho no show de entrega do Troféu Gralha Azul atraiu a atenção de Villela.
A meia-dúzia de paranaenses no palco com Milton Nascimento criou um belo casamento. Os rapazes ganharam espaço para cantar no show. A disposição do autor de ‘‘Travessia’’ apenas acompanhá-los ao violão, em determinados momentos, é um sinal de sua generosidade. Maurício Vogue concorda: ‘‘Milton é realmente muito generoso. Poderia nem fazer isso, mas faz. Não é para se poupar que ele deixa de cantar, porque continua no palco. Bondade mesmo’’.
• Tambores de Minas -, show com Milton Nascimento. Direção de Gabriel Villela. Hoje e amanhã, às 21h, no Guairão. Ingressos: R$ 40,00 (platéia), R$ 35,00 (primeiro balcão), R$ 30,00 (segundo balcão).

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