Millencolin testa longevidade hardcore em Curitiba
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Claudio Yuge<BR>Equipe da Folha 
Tenho 22, não sei o que deveria estar fazendo ou deveria ser, para ser mais do que sou/ Tenho 22, tão distante de todos os meus sonhos/ Tenho 22, sinto-me triste. É com esse tipo de grito juvenil, aliado ao hardcore californiano, cheio de respingos ska, que o grupo sueco Millencolin arrebanhou uma legião de fãs ainda nos anos 90. Os integrantes cresceram, os fãs também, o som ficou mais cadenciado, abandonou aos poucos uma ou outra coisa adolescente. Porém, nunca deixou de ser, no fundo, um pouquinho inconsequente. E essa longevidade está à prova em nova turnê, que passa pela capital paranaense na noite de hoje, no Curitiba Master Hall.
O grupo sueco nasceu em Érebro, na Suécia, em 1992, no auge das bandas influenciadas pelo hardcore californiano, quando Bad Religion e NOFX já estavam se tornando tiozinhos e eram grandes referências. Millencolin, assim como Lagwagon, lideravam uma nova geração de jovens doidos por guitarras rápidas e melodias grudentas, em meio a letras sobre relacionamentos, sobre o futuro, um pouco diferente das preocupações sociais das bandas anteriores.
No Brasil, o Millencolin emplacou o hit Mr. Clean e rodou o país, inclusive com apresentação em Londrina, em 1998, com a então lançada discografia, Same Old Tunes (1994), Life On a Plate (1995) e For Monkeys (1997), disco de maior sucesso, com mais de 200 shows ao redor do planeta.
Depois disso, a banda entrou em uma nova fase, um pouco mais cadenciada, guitarras mais calmas, menos ska, no álbum que virou ícone desse momento, Pennybridge Pioneers (2000). No entanto, diferente de muitos outros contemporâneos, a exemplo de No Use For a Name, Face to Face ou Lagwagon, o Millencolin não entrou em hiato, não trocou integrantes e nem deixou de se apresentar ou continuar gravando.
É por isso mesmo que muitos fãs continuam fiéis, até porque os outros discos seguintes mantiveram a pegada e também a mesma proposta de quando os integrantes eram ainda mais jovens. Prova disso está em dos hits do último álbum, Machine 15 (2008), em comemoração aos 15 anos da banda. Detox se parece com uma continuação de 22. Ela não está brincando, mas você está/ Ela quer romance, você quer guitarras/ Sua cabeça é tudo o que você prefere/ Mas você deveria emprestar seus ouvidos para ela.


