Militão Repórter
--Um know-how de cinco gerações. É isto que Antonio Silvestre Ferreira trouxe de Portugal para Maringá, onde está há 20 anos e dirige a Intervin - Internacional de Vinhos Ltda.
--A família dele - me contou o empresário - sempre viveu do trabalho com uvas e vinhos. Em Maringá, eles são produtores das uvas da já famosa Quinta dos Vinhedos. As mudas foram trazidas da cidade de Ferreira, no Baixo Alentejo.
--Na verdade, Antonio Silvestre Ferreira pensava em ir para o Rio Grande do Sul. Mas procuraram conhecer outras regiões e ficaram encantados com o Norte do Paraná. Acharam a terra muito boa, com água em abundância, o que facilitaria a irrigação dos parreirais. Além de farta mão-de-obra. Isto tudo são fatores que fazem a produção crescer, que dão condições ao desenvolvimento, analisou.
--Em Portugal, a família dele entrega o vinho às Cooperativas, que engarrafam o produto e vendem no mercado nacional lusitano. Foi um amigo da família Silvestre Ferreira que os convidou para conhecer a região de Paranavaí. E eles acabaram se instalando em Maringá.
--A mesma uva plantada em Portugal foi trazida para a Cidade-Canção. E parece que aqui elas deram melhor resultado. Algumas das variedades deram melhor vinho aqui. Por isso, quando produziram o vinho Aljôfar - e recebeu aplausos dos entendidos - ele adotou o slogan: o brasileiro que desafiou os europeus!
--Em Maringá, dizem os conhecedores, está a única vinícola de tradição portuguesa no Brasil. O nome Aljôfar foi encontrado por Antonio Silvestre Ferreira na mitologia grega, depois de pesquisar Os Lusíadas, de Camões. Quer dizer a entrada de Netuno nos mares, passando por um portão de ouro adornado com pérolas aljôfar. O nome agradou em cheio e tornou-se rapidamente conhecido nos meios da vitinicultura do país.
--Depois, a vinícola maringaense lançou o Ottobello, numa homenagem à colônia italiana, que é grande apreciadora de vinhos. O nome significa oito vezes belo, e quer dizer muito bom. Tem um aroma e paladar mais acentuados. É feito com uvas mais rústicas, mais adaptadas ao clima do Brasil. É para tomar com as refeições. Lembra Silvestre: os médicos cardiologistas sempre afirmam: um copo de vinho às refeições significa mais saúde para as pessoas.
--Na Europa, lembra Silvestre Ferreira, a fermentação é à baixa temperatura. Porque acima de 20 graus aparecem bactérias estranhas ao processo, que atraplham a qualidade final do produto. Por isso, só usam uvas das regiões mais frias. Na Califórnia, Estados Unidos, há um controle geral da temperatura. E desenvolveram um novo sistema que é uma revolução na vinicultura mundial. Com boas uvas, faz-se bons vinhos em qualquer lugar.
--O sistema californiano é utilizado também em Israel, Nova Zelândia, Austrália e no Brasil. Lembra ainda que a mão-de-obra boa é difícil na Europa. No Velho Mundo faz-se a colheita das uvas com máquinas, o que significa colher também as uvas com defeitos, estragadas, insetos, produtos químicos aderentes, etc. Por isso, acha o produtor maringaense, o Brasil está com melhor qualidade de colheita de uvas do que a França, Portugal, Itália, Espanha e Alemanha.
--Aqui no Brasil plantam-se uvas para colher com máquinas. Colhem duas vezes por semana, durante seis semanas e retiram muitos bagos sem as melhores condições de utilização. As uvas são acondicionadas em caixas e levadas para as adegas, onde são lavadas. Por isso, há condições de se fazer produtos selecionados. Ele afirma que sua vinícola é a única do Paraná que produz vinhos finos.
--Ele elogia os vinhos gaúchos. Diz que no Rio Grande do Sul as condições superiores se conjugam: topografia, grandes áreas, qualidade do solo, água para irrigar, o clima que permite duas safras por ano (junho e dezembro) e mão-de-obra abundante. É um pólo vinícola imenso.
--Afirma também que, baseados em pesquisa, os brasileiros estão tomando mais vinhos nacionais. Diz que vinhos adulterados entraram no Brasil. Vinho em garrafa azul, da Costa do Marfim, com rótulos em alemão, chegam ao Brasil a preço de banana. Felizmente, o pessoal de bom gosto passou a perceber que nem sempre todos os vinhos alemães são alemães. E há vinho alemão que também deixa muito a desejar.
--Segundo a estatística, a média de consumo de vinho no Brasil é de 2,5 litros per capita ao ano. Na Argentina é de 60 litros per capita a cada 12 meses.
Na Europa, os italianos, franceses, portugueses, alemães e espanhóis são os que realmente consomem vinho.
--Silvestre me disse o que dá a cor ao vinho é a casca da uva. Sem a casca, todos os vinhos seriam brancos. No vinho branco, a fermentação das uvas é feita sem a casca. Nos tintos, fermentação com a casca e dois a três dias de maceração. O rosê, com casca e menos tempo de maceração.
--O sistema californiano de vinho é um processo de deixar o produto em cinco graus abaixo de zero, durante uma semana. O vinho fica mais macio na boca. Porque há maior precipitação dos cristais. Os vinhos brancos vão mais rapidamente para o consumo. Em três meses, estão prontos. Já os tintos levam no mínimo seis meses.
--Os vinhos devem ser guardados sempre deitados, num lugar arejado, com pouca luminosidade. O vinho deitado evita a troca de ar. Se ficar em pé, a rolha fica ressecada. E o vinho acaba em vinagre. Por isso, todo o cuidado é necessário com as garrafas de vinho.
--Antonio Silvestre está produzindo na Intervin, em Maringá, a linha Aljôfar: três tipos de branco e três de tintos, dois light (em branco e rosê) e a linha Otobello, tintos e brancos: seco, semi-seco e suave.
--Silvestre lembra: cuidado com vinho de baixa qualidade: pode dar dor de cabeça. Acha que o vinho deveria ser mais caro do que a comida. Aqui é o contrário da Europa. Lá um amigo diz para o outro: vamos a tal restaurante, lá tem um vinho ótimo! Aqui ainda é diferente. O chamado vinho da casa é famoso em restaurantes europeus. Lembra que o vinho tinto deve ser tomado fresco, na temperatura ambiente. Os mais suaves, mais gelados. O tinto seco, nunca menos de 19 graus. Enfim, na gastronomia o vinho é o charme. E os vinhos sérios dão mais importância a qualquer mesa. O convidado se sentirá mais do que prestigiado. Lembre-se disso. Antonio Silvestre Ferreira lembrou, ao encerrarmos a conversa sobre vinhos, que o ex-governador e o ex-prefeito Rafael Greca determinaram que só fossem servidos vinhos da Intervin em suas recepções oficiais. Pela qualidade e porque são produtos feitos no Paraná.
Ele & ElaÉ do Coxa





