Militantes de pista
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de março de 1997
Nelson Sato 
ReproduçãoOrbital: dupla de irmãos abraça causas sociaisDeslanchou. Se ainda não bateu nas FMs, que continuam martelando o bate-estacas comercialóide, a nova música eletrônica já inunda até insuspeitas pistas de dança do Brasil.
Em Londrina, a trilha techno é o filé-mignon nas discotecagens do DJ Carlos B. Diferente porém do tum-tum-tum de rádio, marcado por refrões infames e batidas burras, os trabalhos mais estimulantes do gênero estabelecem nomes e estilos próprios ao invés de sucumbirem ao anonimato após o lançamento do primeiro single.
Entre os expoentes da tendência figura o grupo Orbital, formado pelos irmãos Phil e Paul Hartnoll. A dupla começou a incendiar as pistas em 90, quando ganhavam a vida trabalhando numa pizzaria, em Londres. Um ano depois lançaram o primeiro álbum.
Solar O disco abria com Belfast, um monumento de oito minutos e cinco segundos de vocais etéreos, teclados celestiais, grooves e efeitos eletrônicos. Seguiram-se depois Orbital 2 (93), Snivilisation (95) e o recente In Sides.
Neste último disco, a dupla puxou o freio das batidas, que agora surgem arrastadas e sem a mesma responsa de conduzir as composições. Preocupada com a obtenção de timbres, grooves e ganchos viajantes, Phil e Paul não deixam no entanto de injetar mensagens críticas em suas produções.
Se no álbum anterior questionaram noções como civilização e consumo, desta vez abraçaram a causa ecológica. Gravaram uma faixa inteiramente com energia solar e incluíram o endereço do grupo militante Greenpeace no encarte.


