Celso Mattos
Londrina

ReproduçãoA interpretação de Leandra Leal em ‘‘A Ostra e o Vento’’ foi
considerada luminosa pela crítica norte-americanaDepois de alguns anos curtindo uma ressaca, o cinema brasileiro parece estar acordando do pesadelo para viver uma temporada de ouro. Uma das marcas dessa retomada é a diversidade estética e geográfica da maioria das produções. Atualmente, faz-se cinema do Rio Grande do Sul ao Ceará, abordando temas que vão da comédia urbana a fatos políticos, mas sempre fugindo dos padrões estabelecidos pelo Cinema Novo e também pela extinta Embrafilme.
Os clichês nos quais os filmes brasileiros se engessavam, afastando o público das salas de exibição, cederam lugar a uma multiplicidade artística que tem contribuído para o bom nível das atuais produções.

Arquivo Folha‘‘O Que É Isso, Companheiro?’’ que pode dar ao cinema brasileiro
o seu primeiro OscarSe isso ainda não é suficiente para conquistar o prestígio do cinema nacional junto aos brasileiros, pelo menos faz renascer a esperança de um futuro melhor para os filmes aqui produzidos. O sucesso que algumas produções vêm fazendo no exterior prova que isso não é mero saudosismo. Pela segunda vez, em menos de três anos, o Brasil estará representado na entrega do Oscar. Em 1996, com ‘‘O Qu4trilho’’, e agora com ‘‘O Que É Isso, Companheiro?’’, o cinema nacional tem a chance de abocanhar a tão sonhada estatueta. Mesmo que isso não venha a acontecer, a indicação por si só já é muito importante, considerando que o filme de Bruno Barreto concorreu com produções de 47 países.

ReproduçãoA atriz e modelo Natascha Henstridge com o ator Eduardo Moscovis em €€Bela Donna€€, de Fábio Barreto Críticas favoráveis A trajetória de ‘‘O Que É Isso, Companheiro’’ no exterior não inclui apenas a indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Ao lado de outras produções como ‘‘A Ostra e o Vento’’, de Walter Lima Jr.; ‘‘Tieta do Agreste’’, de Cacá Diegues, e ‘‘Central do Brasil’’, de Walter Salles, o filme vem despertando a atenção da crítica e do público norte-americano. O longa-metragem foi distribuído pela Miramax e está sendo exibido em 60 cidades dos Estados Unidos. No primeiro final de semana de exibição, obteve um faturamento de US$ 5.160 em seis salas de Nova York e Los Angeles, superando produções norte-americanas que trazem no elenco astros como Michael Keaton e Andy Garcia.
Em termos de crítica, a recepção também foi calorosa. Onze publicações de Nova York e Los Angeles, entre jornais e revistas, dedicaram espaço ao filme de Barreto com críticas favoráveis. O ‘‘Los Angeles Times’’ classificou ‘‘O Que É Isso, Companheiro?’’ como um fascinante pedaço da história política do Brasil. O mesmo jornal elogiou a interpretação de Sônia Braga em ‘‘Tieta do Agreste’’, que estreou há 15 dias na cidade. Já a revista ‘‘Time Out’’, celebra as interpretações de Pedro Cardoso e Alan Arkin, classificando-as de fantásticas.
Outras produções - Para o ‘‘The New York Times’’ o filme ‘‘A Ostra e o Vento’’ é intenso, misterioso e com um visual sedutor. O crítico Lawrence Van Gelder considerou luminosa a atuação de Leandra Leal. O longa-metragem de Walter Lima Jr. também foi elogiado pelo ‘‘New York Post’’ que destacou a fascinante trilha sonora de Wagner Tiso. O jornal comparou a beleza do filme a das peças ‘‘A Tempestade’’ e ‘‘Rei Lear’’, de Shakespeare. ‘‘A Ostra e o Vento’’ tem lotado os 300 lugares da sala Anthology, em Nova York. Isso sem contar o sucesso de ‘‘Central do Brasil’’, de Walter Salles. Apresentado no Sundance Festival, em Utah (EUA), no final de janeiro, o filme causou um verdadeiro frisson entre os participantes.

Arquivo FolhaJosé Wilker, protagonista de €€Guerra de Canudos€€: filme foi exibido no Festival de BerlimAlguns críticos mais afoitos chegaram a compará-lo a ‘‘Ladrões de Bicicleta’’, um clássico do neo-realismo italiano. Segundo o crítico Leon Cakoff, este é o primeiro filme brasileiro desde ‘‘Pixote’’ (de Hector Babenco), que fechou distribuição internacional para todos os cantos do planeta. No momento, ‘‘Central do Brasil’’ está participando do Festival de Cinema de Berlim com chances de ganhar o Urso de Ouro de Melhor Filme e de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro. ‘‘Guerra de Canudos’’, de Sérgio Resende também está participando do Festival, mas fora da mostra competitiva.
Onírica e erótica Fazem parte dessa nova safra do cinema nacional outros bons filmes como ‘‘For All - O Trampolim da Vitória’’, vencedor do último Festival de Gramado; o thrilher ‘‘Os Matadores’’, de Beto Brant que ganhou quatro Kikitos no mesmo Festival; ‘‘Bocage - O Triunfo do Amor’’, de Djalma Limongi Batista, que recria uma atmosfera onírica e erótica inspirada no célebre poeta português. Outra novidade é ‘‘Bela Donna’’, de Fábio Barreto. O filme é baseado no livro ‘‘Riacho Doce’’ de José Lins do Rego e traz no elenco a atriz e modelo Natascha Henstridge, protagonista de ‘‘A Experiência’’, e o ator hollywoodiano Andrew MacCarthy, além do ator brasileiro Eduardo Moscovis. E tem muito mais pintando por aí. Que os bons ventos continuem soprando em direção ao cinema brasileiro!

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