Juazeiro do Norte, CE, 01 (AE) - Uma grande multidão de romeiros assistiu, no domingo à noite, à projeção do longa-metragem "Milagre em Juazeiro", na Praça da Matriz de Juazeiro do Norte, no Ceará. Milhares de pessoas acompanharam o docudrama do cineasta cearense Wolney Oliveira, que conta a trajetória do padre Cícero Romão Batista e da beata Maria de Araújo.
Os dois protagonizaram o polêmico milagre de que fala o título do filme, supostamente ocorrido 110 anos atrás e que transformou o então vilarejo em pólo de peregrinação e finalmente numa grande cidade. Diz a tradição que, durante a Comunhão, uma hóstia teria sangrado na boca da beata. A projeção foi feita em tela montada especialmente para a ocasião.
A sessão ao ar livre contou com um grande número de devotos que participa da romaria de Finados, a mais concorrida da cidade. Acompanharam a projeção o diretor do filme e o elenco: José Dumont, que interpreta o carismático padre Cícero, B. de Paiva e Roberto Bonfim, ambos no papel de padres que conduzem o processo eclesiástico, e Marta Aurélia, como a beata Maria de Araújo. Também não faltaram autoridades, apesar de o governador do Ceará, Tasso Jereissati, ter adiado a sua visita a Juazeiro para segunda-feira, pois nesse dia se comemora o 30º aniversário de construção da estátua de padre Cícero em Juazeiro. Assistiram à sessão na Praça da Matriz o prefeito da cidade, Mauro Sampaio, o secretário de Cultura do Ceará, Nilton de Almeida, e os senadores do Estado, Lúcio Alcântara e Sérgio Machado, ambos do PSDB.
O longa-metragem de Wolney mistura cenas de documentário com outras de ficção, reconstituindo a trajetória de vida dos personagens. As partes documentais, claro, foram basicamente filmadas em Juazeiro, durante algumas das cinco principais romarias que movimentam a cidade durante o ano. As demais reconstituem a mudança do padre de Crato para Juazeiro, seus esforços para a construção da cidade, as dramáticas sequências do suposto milagre, os passos do processo movido pela Igreja contra a beata e Cícero.
Além das cenas documentais registradas em Juazeiro, Wolney utiliza imagens de arquivo, algumas bem raras, como as do bando de Lampião, que, dizia-se, era protegido do "Padim". Um momento de particular emoção, para os romeiros, ocorreu quando surgiram na tela imagens do verdadeiro padre Cícero, já velho, assinando documentos.
Segundo disse o diretor do filme, a recepção da platéia foi muito boa. "Acho que nem 10% do público saiu; a maioria assistiu comovida e respeitosamente à projeção." O ator José Dumont, que teve de dar muitos autógrafos no fim acha que a motivação do público era clara: "Eles perceberam que era deles mesmo que se estava falando na tela", disse.

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