Porto Alegre - Alguns dizem que Porto Alegre é uma cidade grande com jeitão de pequena. Ostenta museus, universidades, parques, shoppings, cinemas, dois times de futebol com títulos mundiais e 1,5 milhão de habitantes. Ao mesmo tempo, vive nutrida pelo tradicional chimarrão. Que reúne parentes, vizinhos e amigos nas praças, onde conversam animados, entre um bah! e outro tchê!

Os porto-alegrenses têm um humor capaz de encantar seus visitantes - e o município está totalmente preparado para orientar os turistas, é verdade. Não fosse a recepção calorosa, o frio da capital mais meridional do Brasil pareceria muito severo (ou de renguear cusco, como dizem por lá) aos turistas desacostumados com temperaturas abaixo de 10 graus - marca comum no inverno do Rio Grande do Sul.

Vista o seu melhor casaco, equipe a mochila com luvas e cachecol e calce um tênis confortável para caminhar. Comece o passeio, então, pela parte central da cidade, onde nada é muito longe - por isso, prefira fazer tudo a pé.

A Praça da Matriz (ou Praça Marechal Deodoro) é um bom ponto de partida. Ela beira a Rua Duque de Caxias e tem belos monumentos, um deles em homenagem a Júlio de Castilhos (1860-1903), governador do Estado no fim do século 19. A praça existe desde 1773, um ano após a fundação da capital por imigrantes açorianos - até então, era chamada de Porto dos Casais.

Igreja e poder
Porto Alegre é mais antiga do que a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, criada na década de 1820. Por essa época, em 1858, foi inaugurado o Theatro São Pedro, nas imediações da Praça da Matriz.

O São Pedro já recebeu personalidades como a atriz Cacilda Becker (1921-1969), o poeta Olavo Bilac (1865-1918) e o maestro Villa-Lobos (1887-1959). Passou por uma restauração na década de 1970 e hoje abriga 700 lugares - e um lustre central de 600 quilos. Fica no Palácio Farroupilha, onde também está a Assembléia Legislativa.

Logo ali na frente, a sede do governo do Rio Grande do Sul ocupa as salas do Palácio Piratini, construído no início do século 20 no lugar do Palácio de Barro, que abrigara os bastidores políticos do Estado por mais de cem anos.

Vizinha do Piratini, a Catedral Metropolitana, também na Rua Duque de Caxias, foi erguida no terreno onde ficava a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Madre de Deus de Porto Alegre - e teve suas obras estendidas de 1920 a 1970. Um aviso a quem não perde a chance de fazer seus cliques: pode ser difícil enquadrar a grandiosidade da Catedral em uma única imagem.

Cuias e ervas
Outra referência no centro histórico da capital é o Mercado Público Central de Porto Alegre, no Largo Glênio Peres. Inaugurado em 1869, tem hoje mais de cem estabelecimentos. Ali, a grande atração turística são as lojas com diversos tipos de cuia para chimarrão e uma infinidade de ervas, por R$ 3 o quilo.

Alguns estabelecimentos do Mercadão são famosos, como a tradicional sorveteria da Banca 40, instalada no mesmo lugar desde 1927. O primeiro pavimento é reservado para restaurantes e para casas de artesanato - e recebe, uma vez por mês, uma feira de discos de vinil, com ótimas ofertas.

Estique o passeio até o belo prédio onde funcionava a fábrica da cervejaria Brahma, de 1910 - vale ir de táxi, se estiver cansado. O local, na Avenida Cristóvão Colombo, abriga, entre outros empreendimentos, o Shopping Total e o Museu do Esporte, com peças que pertenceram a atletas como a ginasta Daiane dos Santos e o judoca João Derly, nascidos na cidade.

Pôr-do-sol
Reserve o fim de tarde para conhecer a Casa de Cultura Mario Quintana, onde o escritor gaúcho morou de 1968 a 1982, no então Hotel Majestic. Seu quarto, número 217, continua lá, intocado, com a cama por fazer e o cigarro apagado no cinzeiro da escrivaninha.

O local abriga salas para oficinas, exposições e biblioteca, além de dois teatros e três salas de cinema. Fica na Rua dos Andradas, não por acaso também chamada de Rua da Praia: antigamente, as águas do Guaíba - um lago que os porto-alegrenses chamam de rio - chegavam aos pés do Majestic.

Termine o dia num cenário mágico: confira a região do porto da capital e siga para a Usina do Gasômetro, na Avenida Presidente João Goulart. Ali, garantem os anfitriões, é o melhor local para contemplar o espetáculo de cores que se misturam, entre céu e lago, quando o sol de Porto Alegre mergulha no Guaíba - sim, todo mundo volta um pouco poeta depois desse passeio, você vai ver.

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