Curitiba - No filme ''Minority Report'' (2002), a publicidade aparece como algo ainda surreal para nosso tempo. No longa estrelado por Tom Cruise, o diretor Steven Spilberg imagina um futuro onde a comunicação acontece de forma dirigida e bem particular. Ao entrar num shopping center, por exemplo, o cliente é identificado pela retina e surgem hologramas oferecendo produtos de acordo com a personalidade e gosto pessoal dele. Se a tecnologia para que isso ocorra ainda está distante, não faltam recursos para atrair cada vez mais a atenção do consumidor. Unir a arte e a publicidade é uma dessas estratégias, que pretende ser explorado agora pela recém-criada Estação 29.
Inaugurada ontem, em Curitiba, a empresa é um braço da paulista Meta 29 (que desenvolve projetos de mídia para os principais aeroportos brasileiros e para o metrô de São Paulo) e estréia desenvolvendo suportes publicitários para o Shopping Estação e para o Estação Embratel Convention Center. São painéis em 3D; painéis sequenciais e rotatórios; monitores de plasma instalados em locais de passagem e elevadores; totens e adesivagem de portas e paredes, só para citar alguns. Mas o diferencial que a empresa aposta é a criação de suportes alternativos para unir a arte e publicidade, que há muito tempo tem uma estreita ligação.
Um desses suportes, denominado Container Art, faz parte da exposição que marca a inauguração da empresa. O equipamento desenvolvido pelo arquiteto paulista Francisco Prestes Maia, a partir da idéia da artista plástica e curadora da Meta 29, Lucia Py, é uma espécie de caixa itinerante com vários compartimentos. Serve para expôr obras de arte com interatividade, ao mesmo tempo que proporciona uma discussão sobre o processo utilizado pelo artista. O conteiner já passou por Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. Em Curitiba, o equipamento traz 70 obras do artista gráfico Tide Hellmeister (que ilustrava os textos do Paulo Francis e desenvolve uma extensa pesquisa sobre colagens).
A idéia para criar o container surgiu de um observação de Lúcia às barraquinhas de hippies. ''As pessoas interagiam com os objetos, pegavam, olhavam, devolviam e o vendedor não atuava diretamente com elas'', conta Lúcia, para quem a interatividade é uma das principais sacadas da arte e da publicidade. A ligação entre as duas vertentes, aliás, é objeto de estudo de Lucia. ''Eu me pergunto porque o fascínio que a publicidade oferece não acontece na mesma proporção em um museu e uma galeria'', questiona.
O Conteiner Art vai estar instalado no Shopping Estação em novembro. Já a outra exposição, que marca a inauguração da Estação 29, abre amanhã. Também com foco na interatividade, a mostra ''Visionaire'' traz 21 imagens da edição 42 da revista americana homônima, representando temas como frio, medo, fome, tristeza, entre outros. A revista reuniu artistas como o estilista Heidi Silmane, os fotógrafos Mario Testino e Craig Mc Dean e o músico David Bowie para explorar os novos e desconhecidos territórios olfativos. Na mostra, cada imagem vem ''acompanhada'' de um cheiro específico.
Para Lucia Py, a exploração dos sentidos na arte e na publicidade é uma característica marcante. Mas levar essa peculiaridade para os espaços públicos, conforme ela ressalta, é uma tendência nova, porém cada vez mais presente.

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