Na autobiografia "Becoming, A Minha História", lançada em novembro de 2018, Michelle LaVaughn Robinson Obama, esposa de Barack Obama, narra a sua trajetória. A obra da advogada e escritora norte-americana vendeu mais de dois milhões de exemplares em apenas duas semanas - só nos Estados Unidos e Canadá - e surpreendeu até a editora Penguin Random House (PHR). Em quatro meses, foram mais de 10 milhões de cópias. Traduzida para 24 idiomas simultaneamente, posicionou-se no ranking de 2018 como o livro mais vendido no Reino Unido, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha e França. De 2009 a 2017, fez jus ao título de anfitriã e talvez a popularidade e imagem positiva que criou contribuam para os números.

Michelle Obama: em dez meses sua biografia vendeu mais de 10 milhões de cópias
Michelle Obama: em dez meses sua biografia vendeu mais de 10 milhões de cópias | Foto: Chris Delmas/ AFP

No Brasil, a reunião de memórias de Michelle Obama foi lançada pela editora Objetiva e a jornalista Maria Julia Coutinho, a Maju, é quem dá voz à escritora no audiolivro. Tão planejada quanto, a versão para ouvir, foi premiada recentemente, durante o Grammy - cerimônia de premiação da "Academia Nacional de Artes e Ciências de Gravaçãodos Estados Unidos, que presenteia anualmente os profissionais da indústria musical - na categoria melhor álbum de palavra falada. Só a indicação foi motivo de uma mensagem pública da autora nas redes sociais. O carisma, a autenticidade e as conquistas da ex-primeira dama fazem perdurar a admiração e o respeito em torno dela, que é a 46ª primeira-dama dos Estados Unidose primeira afro-descendente a ocupar o posto.

"Uma pessoa comum, com numa jornada extraordinária". Assim Michelle se descreve. Discorre que seu objetivo é partilhar suas experiências e o motivo maior ajudar a criar espaço para outras histórias e outras vozes. "Alargar o trilho para quem pode pertencer e porque pode pertencer", sintetiza. Sentimentos universais - agruras ou vitórias, fazem com que sua história seja interessante nas 464 páginas do livro.

Por que as mulheres

usam sapatos apertados

Ao pé do ouvido ou com o tradicional impresso em mãos, o leitor tem a chance de se reconhecer e se surpreender com a jornada de Michelle. A degraus até a chegada à Casa Branca são esmiuçados com detalhes da infância na zona sul de Chicago, os anos como executiva, a dificuldade de engravidar e como conciliou os cuidados com as filhas Natasha e Malia e o trabalho - realidade à qual muitas famílias se reconhecem. Sem a pretensão de oferecer uma receita prontinha ou conteúdo pasteurizado, a ex-primeira dama expõe não apenas as suas raízes, mas de forma sábia encoraja e inspira.

A autora enaltece como o papel de seus pais foi determinante para superar transições e ser autoconfiante. A independência, é influência de sua mãe, Marian. A serenidade e coragem como o pai, Fraser, enfrentou a esclerose múltipla trouxeram lições e o irmão Craig teve um papel de mentor. Na experiência como primeira-dama, Michelle esteve ao lado do marido e também solidária ao cidadão comum. Iniciativas como a de criar uma horta na Casa Branca para incentivar alimentação mais saudável, foram assertivas.

O episódio em que quebra o protocolo e abraça a rainha Elizabeth II é recordada. "A rainha deu uma olhada no Jimmy Choo preto que eu usava e balançou a cabeça. Confessei que estava com dor nos pés. Ela me contou que também estava. Nós nos olhamos com a mesma expressão, pensando 'quanto tempo ainda vamos ficar em pé aqui fazendo nada com esses grandes líderes mundiais?' E ela então soltou um riso encantador", escreveu Michelle Obama em sua biografia. "Nós éramos apenas duas senhoras cansadas, oprimidas por nossos sapatos".

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. | Foto: Reprodução
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