São Paulo, 19 (AE) - Um contrabaixista quaker que trocou a new age pelo trash, gosta de Schoenberg e Bartók e adora música brasileira toca amanhã (20) em São Paulo. Ele não veio de Marte, mas da Califórnia. Chama-se Michael Manring, foi aluno de Jaco Pastorius e tem a coragem de subir ao palco apenas com seu contrabaixo. Amanhã, ele sobe ao palco com dois, o dele e o de Célio Barros - como Manring, um fenômeno do instrumento, vencedor do 1.º Prêmio Visa de MPB Instrumental. Os dois tocam na série de concertos "Cordas Dedilhadas", organizada pelo violonista André Geraissati.
Geraissati ainda não se recuperou do impacto de ouvir Manring ao vivo. O motivo é o jeito de Manring encarar o baixo elétrico "como um instrumento solista, tão importante como um violino". O contrabaixista, de 38 anos estudou na Berklee School of Music, gravou três discos de new age, cansou de música pasteurizada, convidou músicos de rock para gravar um disco trash e agora chega à plenitude no quinto disco, "The Book of Flame", sua visão do fenômeno religioso.
"Ele foi concebido logo após a morte de meu amigo Michael Hedges", conta. Quaker e filho de maestro, Manring fez um disco de reflexão existencial. "Acho que a new age esgotou seu discurso e não consegue ser evocativa porque é artificial demais", diz, justificando a procura de uma nova química, que não despreza a tradição clássica nem esquece a contribuição de inovadores como Schoenberg.
A procura de novos caminhos é o foco da série "Cordas Dedilhadas", que vai trazer ao Brasil, ainda este ano, o músico Eric Weissberg, aquele que dublava o duelo de banjos no filme "Amargo Pesadelo" (Deliverance). "Vamos ter cinco concertos na série", adianta Geraissati, que promete outro grande nome, o do músico Stephen Grossman (que toca bandolim). Serão cinco atrações no Sesc Ipiranga (Rua Bom Pastor, 822, tel. 3340-2002), onde Manring toca amanhã com Célio Barros, às 21 horas. Os ingressos custam R$ 10,00 e R$ 5,00 (comerciários, estudantes e terceira idade).

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