Em cartaz desde o final de abril nos cinemas, a cinebiografia "Michael" segue atraindo público de diferentes gerações para ver na telona o resultado do trabalho que reúne a trajetória de Michael Jackson, conhecido como o Rei do Pop. Com direção de Antoine Fuqua (‘O Protetor’) e estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho do cantor, o longa acompanha a história de Michael para além da música, traçando sua trajetória dentro e fora dos palcos.

A cinebiografia "Michael" já arrecadou cerca de US$ 788 milhões em bilheteria mundial, firmando-se como a segunda maior bilheteria global de 2026. No Brasil, o longa ultrapassou a marca de 6,8 milhões de espectadores e R$ 155 milhões arrecadados, tornando-se o maior lançamento da história da Universal Pictures no País.

A produção superou grandes sucessos do próprio estúdio como “Meu Malvado Favorito 4” (R$ 152.2 milhões), "Velozes e Furiosos 7” (R$ 141.8 milhões) e “Velozes e Furiosos 10” (R$135.6 milhões) e segue por seis semanas consecutivas sendo destaque na primeira e segunda posição nos rankings. O desempenho também garantiu ao filme um lugar entre as maiores bilheterias da história do mercado nacional, consolidando-se como o 15º maior lançamento de todos os tempos no Brasil, segundo dados de hoje, 1 de junho, da Comscore.

Produzido por meio de uma colaboração entre Lionsgate e GK Films, o longa-metragem conta com roteiro assinado por John Logan, indicado ao Oscar por seus trabalhos em “Gladiador” (2000), “O Aviador” (2004) e “A Invenção de Hugo Cabret” (2011). Estão no elenco Nia Long (Katherine Jackson), Jessica Sula (La Toya Jackson), Liv Simone (Gladys Knight), Kendricj Sampson (Quincy Jones) e Milles Tellers (John Branca). Juliano Krye Valdi é quem interpreta o protagonista em sua fase mais jovem.

REALIDADE E FICÇÃO

A proposta do longa equilibra-se entre acontecimentos reais da trajetória do artista com alguns elementos criados especialmente para a narrativa. A cinebiografia "Michael" foi totalmente autorizada e supervisionada pelo espólio de Michael Jackson e por grande parte de sua família. O envolvimento da família trouxe algumas consequências diretas para o longa como supervisão do espólio. Assim, o que se vê foi aprovado e produzido com o aval dos representantes do cantor, o que inclui a participação de seus irmãos na produção.

A narrativa tem como foco na carreira do artista e enfatiza sua ascensão e sucesso com o Jackson 5 até o final dos anos 1980. Por outro lado, as polêmicas foram deixadas de lado e, para manter o controle da imagem do Rei do Pop, o longa deliberadamente evita abordar as graves acusações de abuso sexual de menores e os processos judiciais que cercaram sua vida.

DEMISSÃO POR FAX

Um dos pontos mais explorados no longa é a relação do artista com seu pai, Joe Jackson – interpretado pelo indicado ao Oscar, Colman Domingo (‘Sing, Sing’). Embora o filme mostre Michael sendo punido fisicamente apenas em algumas ocasiões, o próprio cantor revelou que os episódios de violência eram mais frequentes.

O longa expõe o fato de nenhum dos filhos chamar Joe de pai, apenas de Joseph. Quando Michael decidiu iniciar uma nova fase na carreira, o que incluía demitir o pai do cargo de empresário, a decisão é comunicada por fax, algo que realmente aconteceu. Outra relação explorada no filme é a de Michael com Bill Bray, seu chefe de segurança.

AMOR POR ANIMAIS

Um aspecto bastante conhecido da vida de Michael era seu amor por animais, os quais ele considerava verdadeiros amigos. No longa, vários deles aparecem vivendo na casa da família em Encino, mostrando mais da ligação do artista com seus companheiros. O filme apresenta também a primeira cirurgia plástica no nariz de Michael como uma decisão estética, sugerindo inseguranças do artista em relação à própria aparência. Na vida real, porém, Michael afirmou que sua primeira rinoplastia ocorreu após um acidente de dança em 1979, quando quebrou o nariz ao colidir com outro dançarino durante um ensaio.

O QUE DIZEM OS FÃS

O professor de Sociologia Leonardo Ampessan, 28 anos, considera que o astro seja o maior artista de todos os tempos. "Eu o conheci muito mais pela história do que vivenciei sua trajetória. Eu nasci em 1998, então acabei me envolvendo com ele pouco antes da morte e muito mais ainda depois da morte dele", conta.

Foi por meio de seus pais e um tio, que gostavam muito do astro, que Ampessan passou a ver os videoclipes e ficou fascinado. Sua admiração contagia os amigos, que o presentearam recentemente, por ocasião de seu aniversário, com um disco de vinil de Michael Jackson. Tanto é que para ver o filme, o grande fã arrastou para o cinema sete amigos e, a respeito do longa- metragem, considera que faltou pouco. "É um retrato íntimo dele, focado no desenvolvimento dele como artista e pessoa. Gostei muito do elenco e por mais simples que o roteiro tenha sido, achei suficiente para a obra que eles se propuseram a fazer", pensa.

De seu ponto de vista, o maior artista de todos os tempos, foi uma pessoa especial. "O que mais admiro nele é seu coração. "Eu já sabia de tudo que se passou no filme por ser fã, mas achei que ainda faltou um pouco. A obra é boa, mas, sendo justo, não acho que seria possível um filme só mostrar a magnitude que foi Michael Jackson", reflete.

De forma autêntica, Ampessan enxerga o rei do pop extraordinário. "Era um gênio. Ele não entendia necessariamente dos aspectos técnicos de mixagem e gravação, mas ele fazia todo instrumental da música idealizada com a boca antes de levar para a banda. O trabalho de mixagem de voz que fazia com várias camadas da voz, era surreal. Além de ser um dançarino extremamente talentoso, e roteirista, ajudava na direção dos videoclipes e atuava muito bem. Cantor, dançarino, produtor, cineasta e ator. Tudo que ele fazia era primoroso porque ele se entregava de corpo e alma", enumera.

PROPAGANDA CONVINCENTE

A estudante de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria Clara Smania, admite que foi conduzida à sala de cinema por meio dos trailers aos quais teve acesso. "Sim, o que me levou a ir ao cinema foi a grande repercussão nas redes sociais sobre as performances retratadas no filme. Fiquei interessada, vi alguns vídeos que me deixaram impressionada e então decidi ir ao cinema para ver o filme completo", divide.

O que mais chamou minha atenção da jovem nesta obra foi a exatidão das performances feitas pelo ator que interpretou o Michael Jackson, seu sobrinho Jaafar Jackson. "Fiquei extremamente impressionada com a forma que o cantor, para época, desenvolveu seus clipes e principalmente com seu talento para dança e, claro, o canto. Gostei também que retratam as dificuldades que ele enfrentou e as motivações para ele se tornar esse astro. Eu não tinha dimensão da grandeza e idolatria que ele tinha até ver o filme", confessa.

Para Smania, a escolha dos atores foi perfeita. "Saber que é a primeira atuação de Jaafar Jacksons é mais admirável. Uma trilha sonora grandiosa, assim como as performances feitas durante o filme, impecáveis", destaca. Entre as lembranças sobre o artista, estão o dia do falecimento do artista. "Eu lembro do dia que ele faleceu e, ao ver o filme, me lembrei que na data e na transmissão, eram muitas pessoas chorando. Entranto, jamais imaginei que era porque idolatravam o cantor e, após o filme entendi o motivo: ele sabia exatamente o que precisava mostrar e dava voz para quem não tinha. Foi um artista grandioso e implacável", pensa.

A estudante de Direito confessa que tornou-se fã. "Fiquei completamente obcecada pela história do cantor, vi diversos documentários, vídeos e agora estou assistindo aos clipes e ouvindo as músicas diariamente. O que mudou para mim foi que vi a grandiosidade de um artista e jamais havia tido a percepção de um artista tão grandioso. Em sua opinião, é positivo conhecer um artista, ainda que ele não esteja mais vivo ou tardiamente. "É legal porque estimula minha geração a conhecer sobre a história e cultura mundial. Apesar das polêmicas que o envolvem, sem dúvidas ele construiu um legado", pensa.

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