Será o pior fim de ano dos últimos tempos. Miami não sofreu nenhum ataque terrorista diretamente, mas o cenário econômico que se desenha na cidade é aterrorizador: 90 mil desempregados o que representa quase 10% do total dos trabalhadores , prejuízos diários mínimos de US$ 12 milhões e redução de 50% na ocupação de hotéis desde 11 de setembro. ''Para nós, turismo e economia são a mesma coisa e fomos muito afetados após os atentados'', afirma o prefeito do condado de Miami-Dade, Alex PeÀelas. ''Vivemos dos turistas e das suas despesas, mas quando ocorre uma crise, o primeiro gasto a ser cortado é justamente o do lazer.''

Dos US$ 60 bilhões que entram na economia local anualmente, 25% vêm do turismo. ''Ele é nossa primeira fonte de renda, seguido pelo transporte e recebimento de cargas e, então, pelo turismo médico'', afirma o gerente de Relações Públicas para a América Latina e a Espanha do Bureau, Gabriel Riera.

Apenas 40% das vagas dos hotéis, em média, estão ocupadas. ''Nesta época, o normal seria o dobro'', afirma o prefeito. Ele conta que dezembro é o mês mais forte da temporada turística em Miami. ''Estamos sempre com 100% das vagas de nossos hotéis ocupadas, mas agora deveremos ter uma baixa de 30%.'' Riera confirma: ''Todo ano, temos um crescimento de no mínimo 3% na época das festas, mas isto não deve ocorrer neste ano, apesar de ser difícil fazer estimativas.''

Sem turistas, hotéis, restaurantes e companhias aéreas começaram a demitir. ''Temos um milhão de pessoas empregadas no condado. Destas, 250 mil trabalham diretamente com turismo'', diz PeÀelas. ''Do total, 90 mil já perderam seus empregos, o que corresponde a quase 10%.''

Em Miami, afirma o prefeito PeÀelas, o impacto no turismo após o 11 de setembro foi ainda maior porque 96% dos visitantes chegam de avião. ''Com os atentados, todos ficaram com medo e deixaram de voar. Assim, a indústria de aviação também sentiu o efeito duramente.''

Os prejuízos, conta, começaram imediatamente. ''Nos primeiros dias após o 11 de setembro, perdíamos US$ 22 milhões diários. Agora, estamos perdendo US$ 12 milhões.'' Sua expectativa é que estas perdas continuem se reduzindo. ''Não dá para prever quando estaremos recuperados, mas este fim de ano não será como os anteriores.''

O problema maior, explica, está ocorrendo com o turismo doméstico. ''Os norte-americanos estão com muito medo e deixaram de viajar'', diz. ''Muitos estrangeiros também cancelaram suas viagens, mas temos grupos, como os espanhóis, que já estão acostumados a conviver com este tipo de problema e continuam chegando.''

Miami, afirma o prefeito, foi a quarta região mais afetada pelo 11 de setembro. ''Hawai, Nova Orleans e Las Vegas foram as três primeiras. São locais que, como nós, vivem exclusivamente do turismo.'' Para atrair o turista e fazer com que ele se sinta mais seguro, o prefeito conta que aumentou o policiamento nos aeroportos e também na cidade. ''Isto já vinha sendo feito antes dos atentados. Em 93, por exemplo, tivemos 645 assaltos a turistas. Neste ano, registramos menos de 20.'' Em 2000, Miami recebeu 10 milhões de viajantes.

Os turistas estrangeiros que mais visitaram Miami no ano passado foram os canadenses, seguidos pelos brasileiros e alemães. Foram 497.100 viajantes do Brasil em 2000, sendo que a maior parte deles tem de 45 a 54 anos (32,3%), hospeda-se em hotéis (92%), viaja por lazer (71,5%) e gasta, em média, US$ 196 por dia, com hospedagem, alimentação, compras e passeios.

Apesar de os visitantes que vão à cidade para feiras, convenções ou negócios ficarem menos tempo nos hotéis e serem minoria, seus eventos deixaram, no ano passado, mais de US$ 970 milhões em Miami. ''Logo após os atentados, várias convenções que trazem muito dinheiro foram canceladas'', conta Riera. ''Felizmente as de dezembro e janeiro estão confirmadas.''

PeÀelas também está otimista: ''Estamos começando a nos recuperar e nossas duas maiores preocupações continuarão sendo a segurança e a economia''. Ele acredita que os Estados Unidos estão aprendendo a lidar com o terrorismo e a viver com ele. ''Estávamos, até certo ponto, mal-acostumados. Não sabíamos o que era viver sob ameaças terroristas'', afirma. ''Mas agora temos de enfrentar esta nova realidade e seguir em frente.''

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