Não é nenhum resort recém-inaugurado, praia paradisíaca ou shopping repleto de grifes famosas. A novidade em Miami são seus hospitais. Ou melhor, o serviço especializado que eles vêm oferecendo para turistas estrangeiros. Empenhada em tornar a cidade a nova região de turismo médico dos Estados Unidos, a prefeitura criou um bureau chamado Saúde Miami, que facilita consultas, tratamentos e cirurgias para estrangeiros, principalmente os da América Latina.

A idéia é que o paciente em busca de uma segunda opinião para a sua doença deixe de ir a cidades como Boston e passe a procurar os hospitais de Miami. ''Aqui, o paciente pode se tratar e aproveitar para ir à praia ou fazer compras'', explica a diretora-executiva do Saúde Miami, Victoria Brewer-Anderson. ''Aliamos tratamentos médicos de ponta com várias opções de lazer.''

Ela lembra que, por enquanto, Miami só é reconhecida por suas praias e centros de compras e não pela medicina. ''Mas aqui temos tratamentos de última geração em várias especialidades'', diz.

''No Jackson Memorial Hospital, por exemplo, há uma área superavançada para as doenças da visão. Já no Miami Children's Hospital, temos tratamentos de ponta para epilepsia e, no Mount Sinai, novas técnicas para acabar com a dor provocada pelas fraturas da osteoporose.''

Os executivos que estão na cidade a trabalho também têm à disposição um programa especial: eles podem aproveitar para fazer um check-up completo em apenas meio dia e recebem os resultados, normalmente, em 24 horas. ''Os resultados são analisados por um médico que dá as orientações necessárias. É uma opção bastante cômoda para quem vive viajando e não tem tempo de cuidar da saúde.''

O pacote mínimo sai por US$ 795 (inclui desde hemograma e colesterol até perfil da tireóide e eletrocardiograma). Já os tratamentos têm preços variados: dependem da doença ou da cirurgia e do tempo que o paciente poderá ficar na cidade.

O Saúde Miami conta com sete hospitais participantes: Aventura Hospital, Baptist Hospital of Miami, Cedars Medical Center, Miami Children's Hospital, Mount Sinai Medical Center, South Miami Hospital e Jackson Memorial Hospital. Muitos médicos são bilíngues e a maioria deles fala espanhol.

As especialidades mais procuradas são cardiologia, oncologia e ortopedia, além dos check-ups. O maior número de pacientes estrangeiros é da Venezuela. ''O país está muito perto e a comunidade venezuelana é grande aqui.'' Em seguida vêm Argentina e Colômbia. O Brasil ocupa o sétimo lugar.

''Ainda não temos muitos pacientes brasileiros porque a passagem é cara e o Brasil tem boa medicina'', diz Victoria. ''Mas a maior parte que vem é para o tratamento de câncer.'' Os hospitais também fazem transplantes em estrangeiros, mas o paciente já precisa ir com um doador. ''Caso contrário, ele entra na lista de espera.''

O Saúde Miami funciona como um bureau e não tem fins lucrativos. ''Somos apenas o contato entre o paciente e os hospitais e ajudamos para que o viajante venha com tudo pronto: hospedagem, transporte, consultas marcadas e todo o apoio necessário.'' A grande maioria dos contatos 90% é feita pela Internet.

''Desde que começamos, já recebemos cerca de 5 mil pedidos de informação. Mais de 2 mil vieram se tratar por meio do Saúde Miami, mas existem muitos pacientes que acabam entrando em contato direto com o hospital e que não contabilizamos.'' Com o trabalho do bureau, o número de pacientes estrangeiros nos hospitais da cidade aumentou bastante. ''Eram 30 mil estrangeiros em 1999 e agora já são 50 mil.''

O Saúde Miami foi formado por uma parceria entre a prefeitura e os hospitais em 1998 e se mantém com recursos das duas partes, que não chegam a US$ 1 milhão. ''Recebemos uma verba anual e prestamos conta de tudo.'' A maior parte desse dinheiro é usada em publicidade e divulgação do serviço. ''Após os atentados de 11 de setembro, temos intensificado a propaganda'', diz Victoria. ''Temos de mostrar que a cidade continua funcionando sem problemas e que os pacientes podem vir para suas consultas com tranquilidade.''

Victoria conta que ocorreram muitos cancelamentos no fim de setembro e começo de outubro. ''Quem está doente não pode esperar, mas quem vinha para o check-up resolveu adiar a viagem'', afirma. ''Agora é que tudo está voltando ao normal.''

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